No último domingo (27
de abril), o lateral direito da seleção brasileira e do Barcelona fez um ato
que causou furor no noticiário: ao bater um escanteio, um torcedor do Villareal
jogou uma banana em campo, em ato puramente racista, e então Daniel Alves pegou
a banana e a comeu.
Uma atitude genial,
afinal ele embaralhou o campo semântico, ao tirar do ato, uma banana sendo
jogada para um macaco (um negro ou pardo), ao reduzi-lo ao fato de uma banana
ser... uma banana. Parece ser algo
idiota, afinal bananas são frutas e frutas têm que ser comidas, porém ele fez
um jogo intelectual muito complexo e com espontaneidade, o que mostra a ainda
mais força por trás do ato.
O campo semântico tem
muito poder, porque, simplificando muito, remetem à semiótica de signos,
significado e significante. Ou seja, temos um signo, banana, que tem dois
significados distintos, uma fruta e uma alusão racista, e frouxa, aos negros, e
o que esse significado possui para o quem o observa, o significante. Naquela
situação, naquele contexto, o segundo significado pareceria o mais apropriado.
E ai que entra a virada no jogo do campo semântico. Em um lance que não dura
dois segundos, Daniel Alves talvez tenha alcançado o maior feito de toda a sua
carreira.
