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terça-feira, 8 de abril de 2014

A Intrusa (Jorge Luis Borges)

“Entre eles os irmãos não pronunciavam o nome de Juliana, nem sequer para chamá-la, mas procuravam, e encontravam, razões para não se pôr de acordo. Discutiam, por exemplo, a venda de uns couros, mas na verdade tratava-se de outra coisa.”Jorge Luis Borges – A Intrusa, in O Informe de Brodie

A primeira vez que eu li o conto A Intrusa, do argentino Jorge Luis Borges, eu quase tive um ataque cardíaco; foi por conta de dois motivos: à época andava tendo uns problemas meio sérios de saúde – esses eu já tenho mais, possuo outros agora – e porque durante a leitura e após ela eu tive o prazer de ser apresentado ao subtexto.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Casa Tomada (Júlio Cortázar)

“Gostávamos da casa porque, além de espaçosa e antiga (hoje que as casas antigas sucumbem à mais vantajosa liquidação de seus materiais), guardava as recordações de nossos bisavôs, o avô paterno, nossos pais e toda a infância.”Julio Cortázar – Casa Tomada (Bestiário)

Seja para o bem, seja para o mal, Julio Cortázar é um dos autores mais lido em toda América Latina, inclusive no Brasil, sempre alheio aos companheiros de espanhola fala. Sua prosa ficcional é talvez junto com a de Jorge Luis Borges o que há de mais conhecido, obviamente não apenas pela academia hermética, da literatura moderna argentina.
O conto Casa Tomada, publicado em 1951 no livro Bestiário, primeiro livro de sucesso de público e crítica de Cortázar, conta a história de um casal de irmãos que viveu a vida toda em uma única casa e de repente ela é tomada por uma presença sobrenatural, ou seja, acima da natureza do entendimento racional humano, isso não significa anjos, demônios, fadas e duendes, que não são explicadas quanto à sua natureza, sua origem, o que é, em suma.

terça-feira, 18 de março de 2014

O Aleph e a Literatura Argentina: Uma Leitura

“Existe esse Aleph no íntimo de uma pedra? Vi-o quando vi todas as coisas e o esqueci? Nossa mente é porosa para o esquecimento; eu mesmo estou falseando e perdendo, sob a trágica erosão dos anos, os traços de Beatriz.”
Jorge Luis Borges - O Aleph

Publicado em 1949, dentro do livro homônimo, o conto O Aleph apresenta, com total certeza, uma das melhores histórias escritas pelo argentino Jorge Luis Borges em sua fase madura, inserida dentro do contexto do dito realismo mágico. Nele, Borges, transborda a sua capacidade de criação de signos e significações, como se vê nesse trecho, onde ele descreve o que seria o objeto que dá nome ao conto e ao livro: “o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do orbe, vistos de todos os ângulos”. Ou seja, o Aleph seria um único ponto onde se poderia envergar todos os outros pontos do cosmos. A carga de significação embutida nessas palavras é enorme, ainda mais se levarmos em conta a erudição de nosso interlocutor, há quem, inclusive, faça uma leitor mística, cabalística do conto. Particularmente, eu não a enxergo.