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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Diário de Bordo, Data Estelar 94370.17

Olho pra trás e, por mera comparação, sei que estou melhor, melhor em formas que nem sei expressar ao certo, hoje me sinto em paz comigo e com o mundo à minha volta, mesmo com os percalços no caminho, a maioria sem a mínima responsabilidade minha, posso, e isso é muito estranho para mim, que sou feliz. Claro, ser feliz é uma impossibilidade imperativa, e felicidade é uma construção emocional que não me é tangível, ainda escreverei melhor sobre o tema, mas estar feliz é sim possível, ainda mais o tipo de felicidade que me permito ter: uma leveza misturada com amor e ternura que nos move à frente.
Sim, é uma visão idílica.
Sim, é uma visão idealizada da felicidade.
Sim, é uma visão positivista e teleológica da felicidade.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Diário de Bordo, Data Estelar 69379

Indo audaciosamente aonde nenhum homem jamais esteve
Sou um animal sensível. Eu sinto as dores e prazeres do mundo. De forma intensa, profunda e irremediável.
Esse é uma das conclusões óbvias, de tão óbvia que eu simplesmente ignorava, que eu cheguei em quase dois anos de terapia, e contando. Aliás, uma das coisas que mais me espanta na terapia é quão cego somos para a nossa própria subjetividade.
Há tempos não escrevia, pelo menos aqui, sobre a minha condição de saúde, sobre a evolução do meu caso. Acho que esse tipo de texto é o único que seja realmente válido para o público em geral que frequenta aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Benefício da Incerteza

Andando pelas ruas do meu bairro, em um cenário muito prosaico e bucólico, me peguei em dúvida: será que estou acordado ou dormindo? Pode parecer meio ridículo, ou fugaz, mas e quantas às vezes você, e eu, não teve um sonho e se pergunto, durante o sono, se estava acordado ou dormindo? Por que uma situação se qualifica mais “verdadeira” do que outra? Isso é discussão para uma outra hora.
Pensando através de uma forma mais filosoficamente, como podemos confiar tanto na razão quanto nos sentidos na construção e entendimento do conhecimento, tanto no âmbito material quanto metafísico, pois ambos já se provaram falhos e imprecisos. Dessa forma me pergunto como podemos caracterizar o que é a realidade e o que de fato acorre em nosso entorno.
Acredito que há duas soluções para esse pequeno problema, o primeiro e talvez o mais fácil de se concluir, não que traga alguma forma de desolação intelectual e emocional, é que essa realidade não existe. Essa lição, a negação de tudo, é ensinada muito pelos filósofos alemães pós-Schopenhauer e seu pessimismo.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A Busca da Felicidade

Num desses dias, enquanto ministrava uma aula sobre o período colonial na América portuguesa, um aluno me perguntou porque eu lia tanto, para que isso servia, essas perguntas que acredito que qualquer professor já ouviu. Na minha cabeça, tinha tantas respostas para essa simples pergunta, que no final não tinha nenhuma.
Passei o resto do dia digerindo um pouco a pergunta, e suas possíveis respostas. Passei o resto do dia perguntando-me: por que eu leio tantos jornais? Por que eu estudo tanto? Acompanho pelo menos uns cinco portais na internet, tanto nacionais quanto estrangeiros, mais canais no YouTube, mais alguns blogs. Isso apenas para me manter, metafisicamente, atualizado sobre o que está acontecendo ao meu redor.

sábado, 6 de setembro de 2014

Diário de Bordo, Data Estelar 68148.1

Permita-me, leitor, divagar um pouco nesse texto. Partirei de uma premissa, e tentarei chegar à uma conclusão de ordem prática. Essa premissa primeira é uma pergunta, ao meio de várias turbulências e horas de uma melancolia que desperta com o simples farfalhar das asas de uma borboleta: eu ainda tenho esperança, seja ela qual for?
Claro que sim, não tenho porque desistir. Acredito que haja alguma redenção para mim, em alguma curva do destino, ou de uma dobra no tecido do espaço-tempo. E por que acredito, sendo cético, em algo tão vago e impreciso? Simples: no fundo, todo homem procura a felicidade, seja em si mesmo ou no exterior de si.

quarta-feira, 26 de março de 2014

Sorriamos

Num desses domingos quaisquer, dia deveras ordinário o domingo, papai me ensinou um preceito budista; não que ele – muito respeito com ele! – seja alguma douta autoridade, em assuntos religiosos ou filosóficos, acredito inclusive que nem é muito muito do seu gosto ou feitio sair aconselhando as pessoas. Mas o tal preceito alegrou o tal do meu domingo: “Quando não tiver mais nada o que fazer ou pensar, sorria”. Fiquei matutando algumas horas, e ainda matuto, sobre tal preceito. Cheguei a uma conclusão: que deveria sorrir mais.
Confesso que não sou muito bom na arte do sorrir, pareço um tanto quanto bobo quando o faço, mas é uma grande alegria sorrir. Pense bem. Quando sorrimos das coisas mais bobas, banais, esses os são verdadeiros sorrisos e assim iluminamos nossas almas, trazemos uma alegria imensa para nossas almas. Quase sempre tolhemos nosso direito de sorrir, de gargalhar, de rir. Nos privamos da felicidade, da alegria, do prazer, do joie de vivre.