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quarta-feira, 27 de maio de 2015

Diário de Bordo, Data Estelar 92944.25 (Eu, um narcisista?)

Sou um homem de poucas, pouquíssimas, vaidades. Não me importo muito com meu visual, tanto no que se refere a forma física ou a indumentária. Sempre cortei o cabelo em casa e usei a barba de pelo menos uma semana. Minhas poucas vaidades são todas relacionadas ao meu lado mais intelectual, sempre me pavoneio em relação à aquisição e manipulação dos meus saberes, hábito que considero um dos maiores defeitos possuídos por mim. Mas de todas as minhas vaidades, essa aqui, de escrever, é com certeza a minha maior. Tenho muito orgulho, além de prazer, de ser escritor, mesmo sendo extremamente realista sobre minhas capacidades e habilidades, um dos dias mais felizes da minha vida foi quando peguei em mãos pela primeira vez o meu primeiro livro.
Por conscientemente ser tão pouco vaidoso, ou seja, eu me enxergo e me entendo como tal. Tal foi, então, o meu espanto ao descobrir em terapia que muitas das causas dos meus sofrimentos emocionais vêm justamente do outro lado do espectro: durante as minhas sessões no divã descobri que sou muito carente e altamente autocentrado. Preciso de atenção e que a atenção seja direcionada para mim.
Semanas depois dessa descoberta, tal entendimento ainda me causa estranheza. Como posso ser ao mesmo tempo uma pessoa sem vaidade, sem orgulho e ser carente, necessitado? Para mim essa é mais uma das minhas muitas contradições e conflitos que acabam por me definir.

Algum pensador, mais sábio e mais bem resolvido do que eu, já terá formulado que a nossa definição é a soma do que somos e do que não-somos, aliás, todas as coisas do mundo são definidas pelo que são e pelo que não-são – o ser é o não-ser não-é – o grande problema, pelo menos no meu entendimento, está justamente em saber dar valor a ambas as partes. Eu, até agora, não soube equacionar as afirmações e suas negações.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Diário de Bordo, Data Estelar 92772.21


Revendo os textos aqui do blog, notei que há meses não fazia nenhum “Diário de Bordo”, que, para quem não conhece, é onde escrevo sobre a minha convivência e aprendizado no que tange a depressão. O último foi lá por setembro. Coincidência ou não, foi justamente quando comecei a fazer terapia.
Para mim, para o meu processo específico, a terapia tem me auxiliado, e muito, na minha busca por sentido e significado, além de entender as causas e como lidar tanto com a depressão quanto com a ansiedade. De certa forma, eu já vinha fazendo isso ao escrever sobre os meus sentimentos e pensamentos, por aqui. A maior diferença que sinto com a terapia é ter um observador objetivo que me ajuda a encontrar e trilhar o caminho de forma muito mais competente.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Diário de Bordo, Data Estelar 68173.2

Viventes e leitores, estou de volta ao Grão-Tucanato da Paulicéia, onde o cinza é mais cinza, o verde mingua, e, pelo andar da carruagem, vamos precisar de muita esperança para vermos a situação do fornecimento dos recursos hídricos reestabelecidos. Vamos ter que prender a respiração, porque a jornada vai ser complicada. Eu já estou até pensando em adotar um outro cachorro e chama-lo de Baleia.
Passei 10 dias em Sete Lagoas, Minas Gerais, na antessala do Sertão – aliás, esse Sertão, em caixa alta, vai ser tema de um ensaio literário para breve – me recuperando de um surto de ansiedade e depressão que quase me levou à decisão final.

sábado, 6 de setembro de 2014

Diário de Bordo, Data Estelar 68148.1

Permita-me, leitor, divagar um pouco nesse texto. Partirei de uma premissa, e tentarei chegar à uma conclusão de ordem prática. Essa premissa primeira é uma pergunta, ao meio de várias turbulências e horas de uma melancolia que desperta com o simples farfalhar das asas de uma borboleta: eu ainda tenho esperança, seja ela qual for?
Claro que sim, não tenho porque desistir. Acredito que haja alguma redenção para mim, em alguma curva do destino, ou de uma dobra no tecido do espaço-tempo. E por que acredito, sendo cético, em algo tão vago e impreciso? Simples: no fundo, todo homem procura a felicidade, seja em si mesmo ou no exterior de si.

domingo, 31 de agosto de 2014

Diário de Bordo, Data Estelar 71227.6

Bom... vamos às novidades no front, pois há alguns dias eu não posto nada por aqui, muito porque eu andei ocupado procurando uma nova plataforma para blogar, além de outros percalços.
Não estou em Sampa, já vamos entender porque, estou em Sete Lagoas, Minas Gerais, na casa dos meus pais, me dedicando a duas causas: terminar meu livro de contos, O Livro de Taw e outros contos, e buscar uma recuperação para meu estado emocional, o que venho fazendo junto com a ajuda de uma terapeuta. Aqui é preciso botar o pé em cima da bola, e parar um pouco: demorei a fazer terapia por dois motivos: primeiro estava (ou estou ainda, não sei mais responder à essa questão) melhorando minha condição de estabilidade emocional, os dias normais, aqueles que não há nem euforia nem depressão estavam se tornando mais costumeiros, se fizesse terapia antes do tempo, provavelmente mexeria em um vespeiro totalmente desprotegido; segundo, demorei um pouco para encontrar um profissional que se encaixa-se no meu perfil, a relação entre terapeuta e paciente precisa ser muito estreita, então é preciso que ajam certas afinidades, no sentido de ideais e sistema de pensamento (isso claro, falo sob o ponto de vista do paciente, não sei se os terapeutas compartilham dessa mesma preocupação, só me resta esperar que sim).