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quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Jihadistas na Vila Carrão

Mulheres utilizam o hijab tradicional
Os últimos episódios de terrorismo ao redor do mundo tem mostrado, mais uma vez, o lado mais feio, sim, estou sendo pueril, da humanidade. Seja por conta dos ataques em si, para mim que não professo fé alguma, não faz sentido você tentar dominar alguém por conta de uma crença, de meia dúzia de conceitos metafísicos, apesar de respeitar e entender quem tenha fé, seja por conta das consequências sociais sejam elas políticas/militares.
É urgente notar que, não importa as ações militares ou políticas, o terror ganhou a guerra. As cicatrizes geradas por uma série de ações e reações, todas truculentas e atabalhoadas, gerou o novo arranjo geopolítico do século 21.
Não há mais como fechar a caixa de Pandora: para o Ocidente, em termos gerais, todo muçulmano é um terrorista-jihadista-fundamentalista em potencial, e para o Islã todo ocidental é um sionista-imperialista-inimigo-da-fé em potencial.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Existe Iniciativa Privada no Brasil?

Vivemos um período singular na história da república brasileira, ainda mais pós-Ditadura Militar. Vivemos um período onde, aparentemente, pela primeira vez temos os senhores que controlam Pindoroma desde seu alvorecer colonial sendo encarcerados pelos vastos crimes cometidos contra o próprio conceito de república. Não é todo dia que tesoureiros de partidos governistas, executivos de grandes empresas, entre outros figurões, são detidos e posto em posição de vexação pública. Bom, pelo menos não por aqui.
Uma coisa me chama muito atenção nas investigações lançadas pelas operações Lava-Jato e Zelotes é como a, dita, iniciativa, dita, privada é tão dependente do Estado brasileiro. Até onde tenho conhecimento, não existe nenhuma grande empresa brasileira, com sede e origem aqui, privada que não dependa de alguma forma das benesses de um Estado forte e paternalista, seja através de empréstimos facilitados ou isenções fiscais de todo tipo.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Edmilson, o Taxista

Dias atrás, por conta do trabalho, tive que fazer uma longa, longa viagem de táxi. É bom apontar que adoro conversar com pessoas, ditas, comuns: atendentes de lojas, taxistas, cobradores de ônibus, vendedores, porteiros, etc. Acredito profundamente que se você quiser conhecer o âmago de uma determinada sociedade você precisa conhecer a visão dessas pessoas que formam as camadas bases dessa sociedade. O taxista, Edmilson, como o zagueiro pentacampeão, era um desses tipos simpáticos, que adoram conversar e que não tem medo de se expressar, daí foram duas vontades que se uniram, a dele de conversar e a minha de ouvir.
O Edmilson, nosso taxista, porém era do tipo que é totalmente contrário à tudo aquilo que acredito: sonha que os militares voltem ao poder, quer que menor infrator, não importando o delito, seja trancafiado, acha que bandido bom é bandido morto, acredita que professores não tem o direito de fazer greve, etc. Edmilson, enfim, era um conservador e reacionário, de quatro costados, nada dessa onda neocon de Facebook. Ele me disse que acreditava que o último bom político foi o Doutor Paulo e que o governador Alckmin estava trilhando um belo caminho para se tornar um bom presidente.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ontem

O Brasil foi acometido por uma onda, uma nova onda, de protestos nesse final de semana. Começamos na sexta-feira com um ato articulado pela CUT pró-Governo, e fechamos com as manifestações de ontem, 15/03, com o ato articulado por diversos grupos desgostos com o governo.
Esses atos foram articulados através de grupos e páginas da rede social Facebook, o que mostra mais uma vez, para algum desavisado, a potencialidade das novas formas de interação humana proporcionadas pela internet.
As pessoas foram às ruas demonstrar seu descontentamento com o governo e a atual situação do país, nada mais democrático, certo? É... Sim e não.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Debate Político na Era das Mídias Sociais


Se algum marciano pousasse na Esplanada dos Ministérios agora e entrasse na internet, ainda mais se ele entrasse em alguma rede social, e depois alguém lhe contasse que tivemos, no Brasil, um dos pleitos mas acirrados e competitivos de todos os tempos, nosso amigo só poderia nos dizer:
- Vocês mentem em um ou em outro, ou são completamente malucos.
Nosso pequeno, e hipotético, amigo verde de longas antenas teria toda razão em pensar dessa forma. Se olharmos nossas timelines perceberemos que o assunto das eleições já é papel de embrulhar peixe. O problema, para esse mero escriba, não é a velocidade em que os ciclos de notícias nascem em morrem nas mídias sociais, mas sim uma falta de perenidade nos macrotemas.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Por Amor À Argumentação

Como todos sabemos, moro na região da Avenida Paulista e sabemos, mais ainda, que durante o final de semana que passou tivemos uma manifestação, todos têm direito a se manifestar em um estado de direitos, contra a eleição da presidente Dilma. Afinal vivemos, mesmo que ainda não percebam, em uma democracia frágil e ainda engatinhando. Vivemos aquele que um dia virá a ser a Idade de Ouro da nossa democracia. Ao áureo metal me refiro como questão histórica, não como governo(s), nosso tempo ainda vai ser lembrado como o tempo em que votamos para presidente, tiramos o mesmo do poder, elegemos um intelectual, um metalúrgico e uma ex-guerrilheira.
Não podemos perder o foco, por isso voltemos.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Festa da Democracia


A intenção desse texto é apresentar um breve e pequeno balanço sobre as eleições majoritárias desse ano. Antes de mais nada, e que você saia me xingando ou qualquer coisa do tipo, acho necessário abrir meu voto, então eis-los: Luciana Genro (primeiro turno para presidente), Dilma Rousseff (segundo turno para presidente), Eduardo Suplicy (senador), Alexandre Padilha (governador), Legenda do PSol (deputado estadual e federal). Como podemos perceber, meus votos foram mais à esquerda, voltado para um projeto mais progressista e com o viés de desenvolvimento social, não que eu veja necessidade de justifica-los, ainda mais aqui.
Os dois votos mais difíceis para mim foram para governador e no segundo turno presidencial. Segundo o primeiro, a grande dificuldade era ter que escolher algum candidato de peso e força que pudesse ao menos forçar um segundo turno, afinal o projeto tucano em São Paulo sofre de certo comodismo e um senso de perpetuamento no poder; um segundo turno, e uma expectativa real de perder o Palácio dos Bandeirantes fariam o PSDB paulista fazer uma autocritica mais profunda; infelizmente não aconteceu, acredito muito pelo fato do PMDB e do PT em São Paulo não terem se unido para o pleito estadual, além do PSol ter lançado Gilberto Maringoni ao invés de Vladimir Safatale para concorrer ao cargo (Safatale tem mais penetração com o público médio, afinal ele tem colunas tanto na Folha de São Paulo quanto na Carta Capital, além de carregar muitos votos por ser professor do instituto mais politizado da USP).

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Diário de um Professor: Eleições e Educação

Nesse final de semana vamos às urnas mais uma vez. Mais uma vez, desde 1989 depois de um hiato de 29 anos, o brasileiro vai poder escolher livremente, na frieza da lei escrita, seus representantes para exercer o poder. É preciso ressaltar que estamos vivendo o segundo maior período da República com votações diretas para presidente, o maior período é o que vá de 1891, dois após a proclamação da república, e a eleição de Júlio Prestes, que foi eleito mas não chegou a tomar posse, em 1930.
Vivemos, talvez, o maior período democrático para presidente. Para compararmos eu, com 32 anos, já votei para presidente três vezes, o meu pai, com 58 anos, votou para presidente somente seis vezes, sendo a primeira em 1989. Eu votei para presidente pela primeira vez com 20 anos, meu pai voltou com 33 anos.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Horário de Almoço: uma crônica sobre política


OBS.: O texto que seguirá é de cunho altamente ficcional, baseado na minha imaginação e vivência, qualquer semelhança com a realidade, fatos e pessoas, vivas ou mortas, não é mera coincidência.

Estava na firma, no trabalho para quem é fora de Sampa, ontem, no dia seguinte ao penúltimo debate presidencial na televisão. Como sabemos, além do clima xoxo e o debate em-si raso, ele foi marcado, ou melhor: maculado, pela declaração homofóbica do candidato do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, Levy Fidelix em resposta à pergunta elaborada pela candidata Luciano Genro, do Partido Socialismo e Liberdade.
Na hora do almoço, depois de um PF meio safado, entre um café e outro, começaram a discutir a declaração do simulacro de Sr. Spacely, eu apenas a ouvir:

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

A Esquizofrenia Eleitoral Paulista


Nasci em São Paulo, ali no antigo Hospital Matarazzo, há 32 anos. De lá para os nossos dias, a dita “Locomotiva do Brasil” (termo que me causa mais náuseas do que comer um churrasquinho grego do Largo do Paissandu) teve como ocupantes do Palácio dos Bandeirantes os distintos cavalheiros: José Maria Marin, André Franco Montoro, Orestes Quércia, Luís Antônio Fleury Filho, Mário Covas, Geraldo Alckmin I, Gerado Alckmin II, Cláudio Lembo, José Serra, Alberto Goldman e Geraldo Alckmin III.
Com a exceção de Marin, e isso pode soar BEM estranho, todos governadores são da mesma corrente política: uma direita conservadora travestida de direita liberal. Marin, como todos sabemos, assumiu seu mandato pela ARENA, depois do dr. Paulo Maluf ter renunciado.

domingo, 7 de setembro de 2014

Síndrome de Odorico Paraguaçu


Em dia de grito no riacho Ipiranga e em épocas de pleito eleitoral, é sempre bom rever algumas coisas que estão acontecendo nesse ano de eleições. Não pretendo julgar cada um dos candidatos, mas sim o quadro geral das eleições majoritárias brasileiras desse ano.
Sobre o que pretendo opinar aqui é o discurso em geral das eleições desse ano. Primeiro, acredito que o nível do debate desse pleito consegue estar ainda mais baixo do último pleito.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Segregação Não É Solução


Há algum tempo que gostaria de falar sobre esse assunto, mas as correrias da vida, meus projetos literários e outros compromissos me impediram de me debruçar sobre tal ele. E qual é ele? A proposta do governo de São Paulo de criar vagões exclusivos no Metrô e nos trens da CPTM para mulheres nos horários de pico. É o chamado vagão cor-de-rosa.
Bem, nada como punir a vítima pelo abuso sofrido. Por que segregar? Já ouço vozes dizendo que é melhor assim, que blábláblá. Esse projeto fere, no mínimo, o espírito republicano, que se baseia na igualdade de todos, não importando gênero, raça e crença, perante à lei e à sociedade.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Sim, Somos Corruptos


Na minha experiência como professor de português para estrangeiros, campo, aliás, cada vez mais amplo por aqui, eu tenho que explicar um monte de gírias e expressões idiomáticas para os estrangeiros que vivem no Brasil.
Algumas traduções são quase impossíveis, como “tomara que caia” e enfiar o pé na jaca”, porém outras são impossíveis mesmo, não por uma questão linguística, mas por uma questão de cultura.
Aquela mais óbvia, por vários motivos, é o tal “jeitinho brasileiro”. Tente explicar para um alemão ou para um escandinavo, e suas lógicas puras, o que é esse tal “jeitinho” que tudo resolve. Eu já passei por isso, e, acredite, não foi muito fácil...
Mas o que está no cerne, no âmago, dessa questão? Eu estou plenamente convencido que é a falta de comprometimento com as regulações e regulamentos vigentes, sempre tendo como ponto de vista de obter os melhores resultados para si. Ou seja, corrupção.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ai, Pondé...

No último feriado, dia 21, Tiradentes e segunda-feira, fomos brindados pela coluna semanal na Folha de São Paulo do professor de filosofia da PUC-SP Luis Felipe Pondé (o link para o texto está lá embaixo). O título? Por uma direita festiva. Só pelo título já dava para ter breves insights sobre o que viria pela frente...
Na coluna, o professor Pondé argumenta que os jovens de direita, ou liberais, por serem interessados em temas profundos como economia e política, e por encararem isso de maneira séria, honesta e profundamente, não conseguiriam “pegar mulher”, afinal as pessoas de esquerda tem um discurso mais próximo ao coração, que serve para atrair jovens mulheres da classe alta entediadas.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Caos Dentro do Caos

A analogia é brega, cafona e recauchutada, mas precisa: se São Paulo fosse um corpo humano, seu sistema circulatório, as vias da cidade, está entupido. Em paulistanas terras, depois de anos de descaso governista, vivemos um verdadeiro caos.
A cidade sofreu uma explosão demográfica a partir dos anos 1950 com a industrialização brasileira, e desde então não se parou mais para pensar sobre o planejamento urbano.
O que temos na cidade, hoje, é um modelo que pode se tornar insustentável em breve. Aliás, vivemos um ponto de flexão em São Paulo: estamos na verve de aprovar um novo Plano Diretor, que determinará os rumos que a cidade vai tomar pelos próximos 20 anos.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Não É Por 25%

Na última sexta-feira, dia 04 de abril, a mídia vinculou a notícia que o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) se equivocou ao divulgar na semana anterior dados sobre a violência sexual contra as mulheres no Brasil; já tratei desse assunto aqui.
Originalmente, para a resposta a seguinte pergunta: “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas?”, ou seja, é culpa vítima sofrer uma violência ou não?, 65% dos entrevistados disserem que... sim. No dia 04 o Ipea se pronunciou que, por um erro de digitação, o dado real era de aproximadamente 25%. Ou seja, 1 em cada 4 entrevistados concorda bisonhamente com essa ideia. Isso, comparativamente, é quase o dobro do número de brasileiros com diploma universitário, que gira em torno de 10% segundo o IBGE.

segunda-feira, 31 de março de 2014

O Horror, o Horror, o Horror...

Esse era um texto, mais um, que eu não gostaria de ter que escrever. Mas enfim, faz parte da vida enfrentar o que não queremos, o que não gostamos e o que detestamos.
No último 27, uma pesquisa do Ipea (Instituo de Pesquisa em Economia Aplicada) revelou que a imensa maioria dos entrevistados, cerca de 42%, acredita que a mulher (vítima) é culpada por sofrer qualquer violência sexual. E em outro dado, 65% dos entrevistados acredita que o tipo de roupa usada pela mulher influência na violência sexual.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Monstro Debaixo da Cama

Às vezes, penso que vivemos tempos esquizofrênicos. É sério. Em pleno século 21, ainda tem gente que tem medinho de 1917. Qual é o trauma? Qual é o grande medo? Que monstro é esse que assola alguns setores da nossa sociedade?
Por conta das proximidades do jubileu de ouro do golpe de 1964 – que diferente do que a palavra pode dizer, não há de glorioso nesse fatídico evento – tenho acompanhado mais de perto essa época de nossa história. E a minha conclusão é que não mudamos muito de 64 até hoje, principalmente nas forças mantenedoras da estrutura de poder.
Tanto o golpe quanto o regime civil-militar se basearam no medo de uma possível transformação do Brasil em uma espécie de Cuba e no restauro da ordem. Comecemos pelo Caribe.

terça-feira, 25 de março de 2014

Prá Frente Brasil?

Nesse último final de semana o Brasil foi tomado pelas tais Marchas da Família com Deus pela Liberdade, reeditando, tentando, um dos eventos mais nefastos de nossa história. Tais eventos forma organizados através das redes sociais e conclamavam pautas das diversas matizes. Desde que à direita, e diametricamente oposta a qualquer coisa popular e social.
O resultado foi, digamos, pífio. A mídia noticiou que houveram cidades em que a tal Marcha não conseguiu reunir nem duas dúzias de pessoas. Em São Paulo, onde moro, o evento, que se reuniu na Praça da República – sou eu, ou a ironia está em todo lugar? – e reuniu cerca de 500 marchadores, mais imprensa e policiamento. Umas mil pessoas, chutando alto. Ao mesmo tempo, houve uma Marcha Antifascista e Antigolpista, que se reuniu na Praça da Sé, um dos símbolos da luta popular na Terra da Garoa. Ela reuniu, com imprensa e polícia, a mesma quantidade de pessoas.