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terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Deus e o Diabo na Mesa de Reunião

O que o blogueiro tem vontade de dizer quando
alguém começa a rezar no firmão.
Há alguns meses resolvi me bandear para o “mundo corporativo”, deixei minhas atividades pedagógicas e criativas um pouco de lado e comecei a trabalhar numa empresa multinacional. Foram vários motivos que me levaram a isso, e acho que não é interessante expor aqui as minhas motivações pessoais nesse caso.
Constatei que vivia numa pequena e confortável bolha: convivia muito com alunos do ensino base, com a minha família e com colegas de curso e profissão. Tinha outro entendimento do mundo, muito por conta das similaridades nos discursos, na ideologia, na visão de mundo e realidade.
Para mim, foi um choque conhecer, numa só leva, tantas pessoas evangélicas, praticantes ou não, o mais estranho e absurdo que isso possa parecer. Foi um choque, e súbito diga-se de passagem, perceber como o discurso religioso e místico está impregnado na estrutura social que nos rodeia.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Como assim Você É Ateu?

Como falei na minha crônica sobre ter depressão (leia aqui), eu sou ateu. Mas calma, sou uma boa pessoa. A ideia de escrever esse texto, que sempre esteve na minha cabeça, veio depois de algumas conversas com os pais dos meus alunos.
Não sei muito por qual motivo, a maioria dos pais dos meus alunos me questiona qual a minha religião. Acredito que pelo fato da religião fazer um grande papel na educação das pessoas, basta ver quantos colégios, escolas e universidades, têm alguma orientação religiosa.
A reação de quando falo sou ateu é quase sempre a mesma: espanto. Muitos deles confundem o fato de ser ateu, ou seja, negar ou não conceber a existência de um deus pessoal, com não ser católico, muitos me perguntam se eu sou evangélico, não sei o porquê. Alguns já me perguntaram se eu era judeu, mulçumano...
No senso comum, as pessoas tendem a confundir a religião com fé. Apesar de estarem bem próximas uma da outra, elas não são exclusivas uma da outra. Você pode ser cristão (fé) e não ser católico, protestante ou neopentecostal (religião).

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O Menino, o Homem e a Fé

A leitura, a vida, a cidade, tiraram um pouco da doçura e da simples felicidade; é o que concluo após rever algumas fotos de quando era uma criança pequena. Sem querer me gabar mas fui uma criança bem lindinha e graciosa, em algumas fotos eu mal me reconheço, apesar dos mais próximos insistirem em dizer que pouco mudei nessas três décadas. Dou-me o direito de discordar, todavia.
Divago para tentar chegar em um ponto: quando eu perdi a capacidade de acreditar em alguma coisa? Digo isso, afinal, desde que tenho a capacidade de problematizar meus atos, sempre os coloquei sob um prisma crítico, o que de certa forma me impede de crer em algo. Trocando em miúdos: desde que me entendo por gente eu sempre fui muito racional – apesar dos arroubos de protoromantismo durante a mocidade.
Com isso, apesar da formação católica que possuo – passei quase toda a minha vida escolar em um colégio dominicano – hoje me sinto incapaz de acreditar em qualquer coisa. Acreditar, para mim, é aceitar algum conceito, guardem essa palavra, sem questioná-lo nunca, seja de forma positiva, seja de forma negativa.