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segunda-feira, 19 de maio de 2014

#somostodosmachistas


No domingo passado (11/05), pela quarta rodada do Brasileirão, jogaram Atlético-MG e Cruzeiro, clássico maior de Minas Gerais. Gostaria muito que o principal assunto da partida fosse exclusivamente os lances, os gols e, até, as polêmicas. É disso que se trata o futebol como esporte.
Porém, e há sempre ressalvas, não trataremos sobre os aspectos esportivos do match, ou cotejo, como preferirem. Foi com horror que fiquei sabendo, não assisti ao vivo o jogo, que a auxiliar Fernanda Colombo Uiliana, aspirante à FIFA, ou seja, competente e profissional, fora hostilizada por um erro que cometera.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Diário de um Professor: Resumos, Adaptações e o Cânone Literário Brasileiro


Na semana passada as redes sociais, sempre elas, foram invadidas com a notícia-bomba que o MEC aprovou um projeto, com financiamento público, de uma autora de adaptar para os tempos ultra-pós-modernos alguns textos de Machado de Assis para que as crianças e adolescente possam se interessar em literatura e leitura.
Eu, sinceramente, não entendi o fuzuê gerado por tal notícia. Eu estudei quase que toda a minha vida escolar em um bom colégio dominicano em São Paulo, e mesmo ali, antro do conservadorismo pedagógico, eu li adaptações e resumos de obras como Dom Quixote, Os Três Mosqueteiros, O Último dos Moicanos, Moby Dick, entre outros. Não me tornei um leitor limitado, muito pelo contrário, e nada me impediu de ler, depois com mais maturidade, as obras completas citadas.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Futebol, Racismo e Bananas

No último domingo (27 de abril), o lateral direito da seleção brasileira e do Barcelona fez um ato que causou furor no noticiário: ao bater um escanteio, um torcedor do Villareal jogou uma banana em campo, em ato puramente racista, e então Daniel Alves pegou a banana e a comeu.
Uma atitude genial, afinal ele embaralhou o campo semântico, ao tirar do ato, uma banana sendo jogada para um macaco (um negro ou pardo), ao reduzi-lo ao fato de uma banana ser... uma banana. Parece ser algo idiota, afinal bananas são frutas e frutas têm que ser comidas, porém ele fez um jogo intelectual muito complexo e com espontaneidade, o que mostra a ainda mais força por trás do ato.
O campo semântico tem muito poder, porque, simplificando muito, remetem à semiótica de signos, significado e significante. Ou seja, temos um signo, banana, que tem dois significados distintos, uma fruta e uma alusão racista, e frouxa, aos negros, e o que esse significado possui para o quem o observa, o significante. Naquela situação, naquele contexto, o segundo significado pareceria o mais apropriado. E ai que entra a virada no jogo do campo semântico. Em um lance que não dura dois segundos, Daniel Alves talvez tenha alcançado o maior feito de toda a sua carreira.