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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Da Imaginação ou A Busca da Reflexão Criativa

“A razão, por mais que grite, não pode negar que a imaginação estabeleceu no homem uma segunda natureza.”
Blaise Pascal

A nossa mente é constituída, não pelo ponto de vista biomédico ou neurológico, de dois campos distintos de apreensão e manipulação do saber: a Imaginação e a Razão . A primeira nos é inata e precisa ser estimulada para não definhar; já a segunda é artificial e precisa ser desenvolvida em um ciclo que tende ao infinito. Em ambos não há nenhum tipo de negação ao raciocínio, pois este é a natureza de ambos, pode-se assim concluir que a imaginação e a razão são categorias da mesma natureza. Como apresentarei em um ensaio no presente volume, a Essência do ser é múltipla e interior, já a Aparência é singular e exterior, ou sejam pode ocorrer mais de uma Aparência para uma Essência. O Saber é aqui aproximadamente nossa Essência, e a Imaginação e a Razão aparências daquelas. Em termos semânticos temos que a Razão e Imaginação são a mesma coisa, porém vem-a-ser outras. Agora que não há mais dúvidas em relação ao espaço, dedicar-me-ei à Imaginação, ou melhor, ao seu uso como método cognitivo em prol da solução de problemas, de qualquer natureza, sempre abordando um ponto de vista criativo.
A Imaginação é o campo da mente que se ocupa das categorias mais dinâmicas e não concatenadas, que não apresentam, necessariamente, uma relação de causa e consequência. No fundo tudo o que o Belo acaba por tocar faz parte da Imaginação; desse modo, muitas pessoas tendem a confundir, em termos conceituais, ela com a fantasia ou com algo irreal, porém uma realidade sem qualquer toque imaginativo torna-se assim opaca, sem força. Ela, todavia, não é nada além do que uma forma de raciocínio mais livre e sem as amarras do binômio causa-consequência. Da Imaginação, a Dialética passa a quilômetros, à deriva. Aqui é o reino do individual, do caráter mais individual do pensamento. Para ela existir é necessário, também, haver o fator da criatividade.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Diário de um Professor: A Educação e o Pensamento Crítico no Brasil

O grande filósofo inglês Bertrand Russell, no ensaio Livre-Pensamento e Propaganda, publicado em 1928, define os fins da educação da seguinte forma: “(...) A educação deveria ter dois objetivos: primeiro, oferecer um conhecimento definitivo, leitura, escrita, linguagem e matemática, e assim por diante; segundo, criar hábitos mentais que capacitem as pessoas a adquirir conhecimento e a formular julgamentos sólidos. O primeiro deles podemos chamar de informação; o segundo de inteligência. (...)”. Tal afirmação estaria ainda mais precisa se incluísse o caráter social da escola, porém é preciso notar que ele diz educação e não escola.
Passados quase noventa anos, a nossa educação ainda não conseguiu atingir esse estágio de desenvolvimento. Por diversos motivos, entre os quais a aplicação dos métodos neoliberais, a educação brasileira cada vez se vê mercantilizada e refém de uma lógica perversa.
Explico.

terça-feira, 18 de março de 2014

O Aleph e a Literatura Argentina: Uma Leitura

“Existe esse Aleph no íntimo de uma pedra? Vi-o quando vi todas as coisas e o esqueci? Nossa mente é porosa para o esquecimento; eu mesmo estou falseando e perdendo, sob a trágica erosão dos anos, os traços de Beatriz.”
Jorge Luis Borges - O Aleph

Publicado em 1949, dentro do livro homônimo, o conto O Aleph apresenta, com total certeza, uma das melhores histórias escritas pelo argentino Jorge Luis Borges em sua fase madura, inserida dentro do contexto do dito realismo mágico. Nele, Borges, transborda a sua capacidade de criação de signos e significações, como se vê nesse trecho, onde ele descreve o que seria o objeto que dá nome ao conto e ao livro: “o lugar onde estão, sem se confundirem, todos os lugares do orbe, vistos de todos os ângulos”. Ou seja, o Aleph seria um único ponto onde se poderia envergar todos os outros pontos do cosmos. A carga de significação embutida nessas palavras é enorme, ainda mais se levarmos em conta a erudição de nosso interlocutor, há quem, inclusive, faça uma leitor mística, cabalística do conto. Particularmente, eu não a enxergo.