Mostrando postagens com marcador tratamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador tratamento. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Diário de Bordo, Data Estelar 69379

Indo audaciosamente aonde nenhum homem jamais esteve
Sou um animal sensível. Eu sinto as dores e prazeres do mundo. De forma intensa, profunda e irremediável.
Esse é uma das conclusões óbvias, de tão óbvia que eu simplesmente ignorava, que eu cheguei em quase dois anos de terapia, e contando. Aliás, uma das coisas que mais me espanta na terapia é quão cego somos para a nossa própria subjetividade.
Há tempos não escrevia, pelo menos aqui, sobre a minha condição de saúde, sobre a evolução do meu caso. Acho que esse tipo de texto é o único que seja realmente válido para o público em geral que frequenta aqui.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Diário de Bordo, Data Estelar 92944.25 (Eu, um narcisista?)

Sou um homem de poucas, pouquíssimas, vaidades. Não me importo muito com meu visual, tanto no que se refere a forma física ou a indumentária. Sempre cortei o cabelo em casa e usei a barba de pelo menos uma semana. Minhas poucas vaidades são todas relacionadas ao meu lado mais intelectual, sempre me pavoneio em relação à aquisição e manipulação dos meus saberes, hábito que considero um dos maiores defeitos possuídos por mim. Mas de todas as minhas vaidades, essa aqui, de escrever, é com certeza a minha maior. Tenho muito orgulho, além de prazer, de ser escritor, mesmo sendo extremamente realista sobre minhas capacidades e habilidades, um dos dias mais felizes da minha vida foi quando peguei em mãos pela primeira vez o meu primeiro livro.
Por conscientemente ser tão pouco vaidoso, ou seja, eu me enxergo e me entendo como tal. Tal foi, então, o meu espanto ao descobrir em terapia que muitas das causas dos meus sofrimentos emocionais vêm justamente do outro lado do espectro: durante as minhas sessões no divã descobri que sou muito carente e altamente autocentrado. Preciso de atenção e que a atenção seja direcionada para mim.
Semanas depois dessa descoberta, tal entendimento ainda me causa estranheza. Como posso ser ao mesmo tempo uma pessoa sem vaidade, sem orgulho e ser carente, necessitado? Para mim essa é mais uma das minhas muitas contradições e conflitos que acabam por me definir.

Algum pensador, mais sábio e mais bem resolvido do que eu, já terá formulado que a nossa definição é a soma do que somos e do que não-somos, aliás, todas as coisas do mundo são definidas pelo que são e pelo que não-são – o ser é o não-ser não-é – o grande problema, pelo menos no meu entendimento, está justamente em saber dar valor a ambas as partes. Eu, até agora, não soube equacionar as afirmações e suas negações.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Diário de Bordo, Data Estelar 92772.21


Revendo os textos aqui do blog, notei que há meses não fazia nenhum “Diário de Bordo”, que, para quem não conhece, é onde escrevo sobre a minha convivência e aprendizado no que tange a depressão. O último foi lá por setembro. Coincidência ou não, foi justamente quando comecei a fazer terapia.
Para mim, para o meu processo específico, a terapia tem me auxiliado, e muito, na minha busca por sentido e significado, além de entender as causas e como lidar tanto com a depressão quanto com a ansiedade. De certa forma, eu já vinha fazendo isso ao escrever sobre os meus sentimentos e pensamentos, por aqui. A maior diferença que sinto com a terapia é ter um observador objetivo que me ajuda a encontrar e trilhar o caminho de forma muito mais competente.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Feliz Natal

Desde sempre, tenho uma ligação muito especial com o Natal. Mesmo sendo, como sabe-se, ateu. Minha ligação com o Natal, e com o Ano Novo, é muito mais familiar do que espiritual; tento na medida do possível não acreditar em nenhum tipo de misticismo, seja ele de qualquer natureza. As Festas, em casa, sempre, ao menos no olhar da criança, foram uma oportunidade momentânea de se enterrar a machadinha e reunir um grupo de pessoas que compartilham ligações genéticas e sanguíneas, além das ligações de afetividade. Se de fato tudo não passava de um jogo de cena, não estou disposto a especular e nem explorar.
Resumindo: mesmo carregando enormes críticas ao pensamento mágico e à ética do capital, eu gosto muito do Natal.