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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Sexismo no Boteco

Ontem escrevi sobre a minha viagem a Porto Alegre, você poder ler o post aqui, e uma das coisas mais legais foi ter ido num boteco. Dez anos de amizade à distância pedem um reencontro em um local aonde haveria boas conversas, risadas, bebidas e comidas.
As conversas iam indo, todo mundo rindo, quando de repente, não mais que de repente, um amigo meu chama a atenção para si e exclama:
“Depois as mulheres reclamam de machismo” e aponta para duas comandas, uma sua e outra de sua namorada. Na parte de baixo de ambas dois valores diferentes de consumação mínima. No caso, homens pagavam R$ 20,00 e mulheres R$ 10,00. E depois continuava:
“Se o feminismo fosse para valer, lutaria por essa igualdade.”

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Jihadistas na Vila Carrão

Mulheres utilizam o hijab tradicional
Os últimos episódios de terrorismo ao redor do mundo tem mostrado, mais uma vez, o lado mais feio, sim, estou sendo pueril, da humanidade. Seja por conta dos ataques em si, para mim que não professo fé alguma, não faz sentido você tentar dominar alguém por conta de uma crença, de meia dúzia de conceitos metafísicos, apesar de respeitar e entender quem tenha fé, seja por conta das consequências sociais sejam elas políticas/militares.
É urgente notar que, não importa as ações militares ou políticas, o terror ganhou a guerra. As cicatrizes geradas por uma série de ações e reações, todas truculentas e atabalhoadas, gerou o novo arranjo geopolítico do século 21.
Não há mais como fechar a caixa de Pandora: para o Ocidente, em termos gerais, todo muçulmano é um terrorista-jihadista-fundamentalista em potencial, e para o Islã todo ocidental é um sionista-imperialista-inimigo-da-fé em potencial.

segunda-feira, 13 de julho de 2015

Ser e Estar

Uma das melhores características das línguas latinas, linguisticamente falando, é que temos dois verbos para caracterizar o que somos. Diferentemente das línguas germânicas, o inglês por exemplo, podemos diferenciar algo que é permanente, através do uso do verbo “ser”, de algo que é transitório, através do uso do verbo “estar”, sem grandes problemas ou construções gramaticais. 
Em inglês, por exemplo, a frase “You are sick” pode determinar que uma pessoa está com uma doença leve, como uma gripe, ou algo mais grave e irreversível, como um câncer em estado avançado. 
Ponto para os latinos.
Essa minha pequena reflexão linguística, hipotético leitor, me surgiu graças à uma conversa em rede social, essa praga virtual, que surgiu depois de uma piada, a qual eu acho muito sem graça, sobre torcedores do São Paulo e do Grêmio serem automaticamente tachado de gays, travestis e transgêneros. Durante a conversa eu soltei “você está sendo homofóbico”. 
A pessoa com quem conversava, pessoa muito letrada e politizada, por sinal, me acusou de estar acusando ela de ser homofóbica. Tal constatação me causou um espanto tremendo: será que eu não estava sendo claro com a minha expressão de algo transitório, afinal a pessoa, assim como eu, defende em muito os direitos à igualdade dos LGBT.
Quebrar preconceitos que nos são imputados desde os primórdios da nossa educação é um trabalho árduo que requer muita reflexão, muito diálogo, e até uma luta interna. O tempo, ah, o tempo, é implacável, o que hoje é aceitável como comportamento padrão daqui há alguns anos pode não ser mais. 
Assim como o contrário. Se retroagirmos vinte, trinta anos, ser gay era considerado obscenidade em muitos países, nesse quesito eu recomendo o longa O Jogo da Imitação, e era passível até com pena de morte, o que em muitos países onde impera a sharia ainda acontece.

Dessa forma, você pode não ser homofóbico, não ter ódio contra gays, lésbicas, travestis e transgêneros, mas pode estar homofóbico ao fazer uma piada ou ofender alguém dizendo, de forma preconceituosa e escarnecida, que ela é LGBT. 
Aliás, ofender alguém chamando-a de gay é passível apenas de desprezo, afinal ser gay não é, nem de longe, uma ofensa. Como disse, leva um bom e longo tempo para perdemos todos os preconceitos que temos, não importa o quão ilustrado, engajado na causa, e “mente aberta” somos,afinal o preconceito, o racismo, a etnofobia, o machismo, entre outros tipos de ódio, são todos construções sociais, culturais e pedagógicas, e demanda tempo e disponibilidade para quebrá-los, e é um processo cheio de fluxos e refluxos. Simplesmente cortá-los é uma tarefa, pelo menos, complicada.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Existe Iniciativa Privada no Brasil?

Vivemos um período singular na história da república brasileira, ainda mais pós-Ditadura Militar. Vivemos um período onde, aparentemente, pela primeira vez temos os senhores que controlam Pindoroma desde seu alvorecer colonial sendo encarcerados pelos vastos crimes cometidos contra o próprio conceito de república. Não é todo dia que tesoureiros de partidos governistas, executivos de grandes empresas, entre outros figurões, são detidos e posto em posição de vexação pública. Bom, pelo menos não por aqui.
Uma coisa me chama muito atenção nas investigações lançadas pelas operações Lava-Jato e Zelotes é como a, dita, iniciativa, dita, privada é tão dependente do Estado brasileiro. Até onde tenho conhecimento, não existe nenhuma grande empresa brasileira, com sede e origem aqui, privada que não dependa de alguma forma das benesses de um Estado forte e paternalista, seja através de empréstimos facilitados ou isenções fiscais de todo tipo.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O SUS, os Huck e a Mídia

Acho a internet uma das grandes invenções do homem, nos mesmo patamar como a roda, a agricultura, a engenharia, a locomotiva, o telefone, o cinema, entre tantas outras. A internet nos possibilitou uma nova forma de vida social, produção econômica e até novas fronteiras na epistemologia e em outros campos filosóficos.
Só que ela, a internet, tem o mesmo potencial para gerar coisas negativas e inúteis. Basta lembrarmos das “polêmicas” que coalham a rede. Na verdade, verdade mesmo, estou meio cansado de escrever sobre essa característica da internet. Acho que é algo meio intrínseco à capacidade humana de criar coisas bacanas e ao mesmo mal utilizá-las. A ciência talvez seja outro grande exemplo dessa capacidade perversa.
A polêmica da vez tem a ver com o acidente aero sofrido pela família dos Huck e seu staff. Como já se sabe, o piloto fez um pouso forçado para evitar que algo de mais danoso acontecesse com os tripulantes e passageiros do avião.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Diário de um Professor: A Pedagogia da Violência

Nas últimas semanas, em todas as esferas de comunicação, uma discussão tem sobressaído: a votação da PEC 171/93, que reduz a maioridade penal no Brasil de 16 para 18 anos. Não pretendo, agora, discutir com você, leitor, sobre o mérito dessa proposta de emenda constitucional, pois ainda não consegui formular uma posição definitiva sobre o tema. Acredito que há justificativas racionais em ambos os lados do debate, que em sua maioria tem sido elaborado pelo fígado e não pelo cérebro. A discussão deve ganhar ainda mais visibilidade com a morte, por um menor de idade, do cardiologista Jamie Gold no Rio de Janeiro no último dia 20.
Um dos fatos que mais me saltou aos olhos desse caso foi que o menor já havia indo e voltado diversas vezes tanto de ações sócio-educativas como de ações punitivas. Salta-me aos olhos pois o sistema de correção juvenil apresenta no Brasil um baixo índice de reincidentes.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Um Beijo Irlandês pro Seu Recalque!


Que dia maravilhoso foi o último sábado (23)!
E por que, deve estar se perguntando meu raro leitor. Simples: em um plebiscito a República da Irlanda, um país com fortes influências católicas e que até o não tão distante ano de 1993 era proibido qualquer forma de expressão homossexual, legalizou o casamento gay, e faz parte hoje de um pequeno grupo de 19 países onde o casamento gay é legalizado, o Brasil incluído nesse rol.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Diário de um Professor: Enfim, me Venceram

Às vezes, ser professor não faz o mínimo sentido. Temos que, ao mesmo tempo, ser profissionais e exercemos nossa profissão com maestria e ser uma espécie de santos que recebem apenas com amor e carinho pelas suas funções. Faz sentido você chegarmos para um CEO e falar para ele: “olha, você vai ganhar um salário bem abaixo das suas necessidades, mas sabe como é, você faz isso por amor, contente-se.”. Para mim, sentido não faz algum.
Nós, os professores, estamos em luta por melhores condições de trabalho e uma remuneração, ao menos, decente. Durante meu período na faculdade muitos dos meus colegas simplesmente não queriam ouvir falar em magistério para seu futuro profissional. Ou seja, em uma das melhores universidades brasileiras, em um curso que é atrelado ao ensino, formam-se, de fato, poucos professores. Não culpo meus colegas e pares.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

O Benefício da Incerteza

Andando pelas ruas do meu bairro, em um cenário muito prosaico e bucólico, me peguei em dúvida: será que estou acordado ou dormindo? Pode parecer meio ridículo, ou fugaz, mas e quantas às vezes você, e eu, não teve um sonho e se pergunto, durante o sono, se estava acordado ou dormindo? Por que uma situação se qualifica mais “verdadeira” do que outra? Isso é discussão para uma outra hora.
Pensando através de uma forma mais filosoficamente, como podemos confiar tanto na razão quanto nos sentidos na construção e entendimento do conhecimento, tanto no âmbito material quanto metafísico, pois ambos já se provaram falhos e imprecisos. Dessa forma me pergunto como podemos caracterizar o que é a realidade e o que de fato acorre em nosso entorno.
Acredito que há duas soluções para esse pequeno problema, o primeiro e talvez o mais fácil de se concluir, não que traga alguma forma de desolação intelectual e emocional, é que essa realidade não existe. Essa lição, a negação de tudo, é ensinada muito pelos filósofos alemães pós-Schopenhauer e seu pessimismo.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Manuel Não Foi pro Céu

Mais uma vez alguém perdeu a chance de, digamos, não falar bobagem. Dessa vez quem conseguiu a proeza de falar uma asneira tremenda foi o cantor Ed Motta, ao falar sobre os brasileiros que vão em seus shows no exterior. Destilando o mais puro preconceito e complexo de vira lata, Motta apenas é um reflexo de como parte da classe artística e da opinião pública brasileira vê nosso país e sua população.
Ed Motta ao dizer que não queria que brasileiros gritassem, em português, e pedissem seu maior sucesso, ele apenas está relinchando preconceito e ignorância.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

A Busca da Felicidade

Num desses dias, enquanto ministrava uma aula sobre o período colonial na América portuguesa, um aluno me perguntou porque eu lia tanto, para que isso servia, essas perguntas que acredito que qualquer professor já ouviu. Na minha cabeça, tinha tantas respostas para essa simples pergunta, que no final não tinha nenhuma.
Passei o resto do dia digerindo um pouco a pergunta, e suas possíveis respostas. Passei o resto do dia perguntando-me: por que eu leio tantos jornais? Por que eu estudo tanto? Acompanho pelo menos uns cinco portais na internet, tanto nacionais quanto estrangeiros, mais canais no YouTube, mais alguns blogs. Isso apenas para me manter, metafisicamente, atualizado sobre o que está acontecendo ao meu redor.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ontem

O Brasil foi acometido por uma onda, uma nova onda, de protestos nesse final de semana. Começamos na sexta-feira com um ato articulado pela CUT pró-Governo, e fechamos com as manifestações de ontem, 15/03, com o ato articulado por diversos grupos desgostos com o governo.
Esses atos foram articulados através de grupos e páginas da rede social Facebook, o que mostra mais uma vez, para algum desavisado, a potencialidade das novas formas de interação humana proporcionadas pela internet.
As pessoas foram às ruas demonstrar seu descontentamento com o governo e a atual situação do país, nada mais democrático, certo? É... Sim e não.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

O Caso do Vestido (não, isso não é o nome de uma peça do Nelson Rodrigues)

A internet, talvez, tenha sido o último grande salto tecnológico do homem, pelo menos nos últimos quarenta anos. Proporcionalmente à sua capacidade de diminuir distâncias, dinamizar o acesso à informação, proporcionar novas formas de negócios e criar todo um novo ramo do conhecimento, todos positivos, ela tem a capacidade de criar discussões, termos e debates inúteis. Totalmente inúteis, ou que nos levam de nada a lugar nenhum.
A última, aconteceu magicamente na madrugada de quinta para sexta dessa semana, foi a discussão sobre as cores em uma foto de um vestido. Vestido esse, na minha opinião, muito simples e comum. Tenho sempre um pé atrás no surgimento orgânico de tais “polêmicas”, é preciso nos lembrar que há sempre interesses monetários por trás desses buzzes.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Um Adeus, uma Escolha Difícil

Ontem, 10/02, eu e minha família passamos por um momento muito difícil: demos adeus à nossa gata Dorothy. Ela já tinha onze anos e vinha sofrendo com um tumor maligno na bexiga. Dorothy nasceu, literalmente, em casa, ela era filha de uma outra gata, a Gata, que morava conosco. Passou todos os dias de sua vida conosco.
De todos os bichos de estimação que a gente teve, e sempre tivemos animais de estimação, ela talvez seja a que tinha a maior personalidade, tanto que ela era muito clara quando gostava ou não de alguém, além de quando a “dublávamos” ela sempre tinha uma excelente persona, quase um personagem de alguma sátira de qualidade.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mea Culpa... ou Por Que É Tão Difícil Parar de Ler um Livro Ruim?


É com muito pesar que admito um esqueleto no armário: eu gosto muito dos livros escritos pelo Dan Brown. Sim, eu sei, ele escreve com uma fórmula pronta para simplesmente vender livros e ganhar muito dinheiro, e com isso vender os direitos de seus livros para o cinema e assim ganhar mais dinheiro ainda, num círculo quase infinito.
Isso sem falar da qualidade de suas histórias, que são, no mínimo, previsíveis e um tanto quanto absurdas, mesmo que plausíveis. Mas mesmo assim eu não consigo parar de ler qualquer livro que ele escreva, mesmo com vergonha de ler seus livros. Aliás, eu tenho essa sensação com a maioria dos autores de best-sellers, um dos meus autores preferidos é o Ken Follet, cuja literatura é tão rasa quanto um pires, porém suas histórias são muito bem narradas e construídas.

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Uso Político do Revisionismo Histórico


O historiador tem como dever, e função, sempre olhar para o passado de forma crítica. Já há muito tempo que a História se afastou da busca de uma verdade única e totalizante, nos dias atuais a ciência histórica está cada vez plural em sua interpretação dos fatos e tempos históricos, tanto nas conclusões quanto no método.
Atualmente, historiadores podem chegar à conclusões muito ímpares em uma mesma linha de pesquisa. Pegue por exemplo a história colonial no Brasil: existem teorias tão diversas sobre a cultura canavieira que poderíamos levar uma vida de leitura apenas para entender os modelos propostos.
Uma das maneiras de olhar criticamente para o passado é revisar as interpretações, com base em documentação e dados, passadas. Isso não implica em negar fatos históricos, como alguns adeptos do chamado revisionismo histórico usam como método.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Porque Continuo Lendo Quadrinhos


Se há uns 18 anos atrás o Bruno de hoje se encontrasse com o Bruno de ontem e os dois conversassem sobre a marcha inexorável do tempo, e suas marcas na vida cotidiana, o Bruno de ontem ficaria muito espantada com a afirmação do Bruno de hoje que ele ainda lê histórias em quadrinhos, principalmente histórias em quadrinhos de super-heróis. Acho que o Bruno de ontem esperava que o Bruno de hoje, ainda mais esse hoje sendo hoje, esperaria que ele apenas lesse alta literatura e filosofia contemporânea... Ah, como somos ingênuos na mocidade.
Muita gente, em especial aqueles que me conhecem mais superficialmente, acham estranho pra caramba eu gostar de coisas, aparentemente, tão difusas como Wolverine e Bertrand Russell. Mas aconteceu, o que eu posso fazer?
Antes de tudo, é preciso explicar que há muito tempo os quadrinhos não são um amontado de asneira nacionalista ou ideológica. Cada vez mais, as histórias dos heróis vêm se aproximando de um tom mais realista, tocando assuntos do cotidiano e com uma profundidade dramática e narrativa cada vez maior. Para os mais jovens, adolescentes e jovens adultos principalmente, contemporâneos, é na mitologia dos heróis e nos games é que estão o grande depósito e espelho narrativo de sua geração. E não é à toa: a televisão e o cinema cada vez mais retratam o jovem como um modelo pronto e acabado, o que está longe da realidade dos mesmos.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Debate Político na Era das Mídias Sociais


Se algum marciano pousasse na Esplanada dos Ministérios agora e entrasse na internet, ainda mais se ele entrasse em alguma rede social, e depois alguém lhe contasse que tivemos, no Brasil, um dos pleitos mas acirrados e competitivos de todos os tempos, nosso amigo só poderia nos dizer:
- Vocês mentem em um ou em outro, ou são completamente malucos.
Nosso pequeno, e hipotético, amigo verde de longas antenas teria toda razão em pensar dessa forma. Se olharmos nossas timelines perceberemos que o assunto das eleições já é papel de embrulhar peixe. O problema, para esse mero escriba, não é a velocidade em que os ciclos de notícias nascem em morrem nas mídias sociais, mas sim uma falta de perenidade nos macrotemas.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma Berlim, Uma Alemanha, Uma Europa


Ontem, dia 9, comemorou-se os 25 anos da Queda do Muro de Berlim. Para mim, tal evento tem duas importâncias: uma pessoal e outra “profissional”. Pessoal, afinal uma das primeiras memórias que eu tenho com total absoluta e certeza é ver o Pedro Bial de frente para o Portal de Brandemburgo noticiando a queda do muro. Algo naquela imagem plasmou em mim uma verdadeira fixação pela Alemanha, tanto que eu sempre tive uma verdadeira adoração à cultura e a hisória germânicas. É incrível o poder da memória em nós...
A outra, a “profissional”, afinal de contas estou em vias de me tornar “historiador”, é mais evidente e direta: estamos diante de um dos mais importantes episódios, ou fatos, históricos dos últimos 30 anos. Acho que juntamente com o 11 de setembro e a Revolução da Internet, a Queda do Muro de Berlim define, pelo menos em boa parte, a nossa atual conjuntura.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pelo Direito à Escolha


Estou para redigir esse texto desde o último final de semana. Mas, como diria Getúlio Vargas, forças ocultas se levantaram contra a minha pessoa. E há vários motivos para que essas forças ocultas se levantassem, afinal falarei de um tema bem espinhoso: o direito para escolher quando morrer. O leitor mais atento reparou que eu utilizei apenas o direito a morrer, não o de morrer quando em estado terminal. O caminho pelo qual trilharemos é espinhoso, torto e com diversas armadilhas, afinal poucos tabus são maiores do que a morte na nossa sociedade. Há uma verdade miríade de assuntos correlatos a morte que nos levam a ter uma opinião sobre ela, passando pela biologia até a moral religiosa.
Meu estopim para finalmente escrever sobre o assunto foi a morte da norte-americana Brittany Maynard, que escolheu o caminho do suicídio assistido para não sofrer e causar sofrimento. Maynard tinha um caso grave de tumor cerebral que a faria definhar com o tempo, então, em uma atitude muito corajosa, resolveu acabar com o seu sofrimento e daqueles que os rodeavam.