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terça-feira, 1 de maio de 2018
segunda-feira, 30 de abril de 2018
sexta-feira, 27 de abril de 2018
quinta-feira, 29 de outubro de 2015
No Ombro de Gigantes
Como muitos, subo nos ombros de gigantes
Além do óbvio, vejo a poética da minha vida
Toda sua narrativa em cores pálidas
Seus abafados cheiros sombrios
Pouca coisa sobrou para se sonhar
Vivi, como uma pluma, na intensidade do pulsar
Aqui, dos ombros, o passado me parece vazio
Oco e esguio. O passado é sol ponente.
Sou poeta e a esperança é minha nutrição
Estando na companhia de gigantes
Só há uma direção possível para o olhar:
O sol nascente.
Além do óbvio, vejo a poética da minha vida
Toda sua narrativa em cores pálidas
Seus abafados cheiros sombrios
Pouca coisa sobrou para se sonhar
Vivi, como uma pluma, na intensidade do pulsar
Aqui, dos ombros, o passado me parece vazio
Oco e esguio. O passado é sol ponente.
Sou poeta e a esperança é minha nutrição
Estando na companhia de gigantes
Só há uma direção possível para o olhar:
O sol nascente.
quarta-feira, 16 de setembro de 2015
Pequena Prosa Pequena 03: Noite em Claro
Mais uma noite, outra como tantas outras, que passaria em
claro. Já fizera de tudo: lera, pensara, rolara. De tudo mesmo. Meus pés
sentiam uma grande autonomia, iam a lugares inesperados. Sentia o desespero de
mais uma noite em claro. O céu não era o mesmo, sabia sim muito bem. Não apenas
amarrado na teoria física. O céu não era o mesmo posto que não fosse, ele, o
mesmo. Sua vida uma eterna linha continua. Linha não, círculo. Continua, não
havia secções nela. Havia, sim, progressos e regressos, mas era uma linha
(círculo) e continua.
Quando os pés se acalmaram ele fora deitar-se mais uma vez.
A mesma vista de todos os dias. Borges de cabeceira (Ficções e O
Aleph), o despertador, barulhento e incomodo, e a luminária. Tudo isso em
um criado mudo, que no Rio Grande do Sul se chama bidê, herdado de uma tia avó.
O sono não vinha apenas o sonho. Ou a vontade de sonhar de
ali não mais retornar. Havia algo de estranho em sua cama. Algo que lhe causava
angústia e repugnância. Talvez fosse a rotina: dormia lá desde que não dormia
mais em berços. O problema da insônia seria a cama, ou seu ocupante? Dúvida
compartilhada por ele inclusive. A sensação de cansaço, de derrota, de
dormência, o vence. Estava mergulhando no reino de Morfeus.
Quando um som estridente, um som indesejado, invade lhe o
quarto. Não vale o esforço literário de descrever qual fora esse som. Sua
definição fora logo ignorada, o que foi relevante fora o despertar provocado.
Não iria dormir. Estava acabado. Estava entregue. Estava rendido. Estava
vencido.
E de tão vencido acabo dormindo.
terça-feira, 15 de setembro de 2015
Pequena Prosa Pequena 02: A Defloração
para uma mulher há muito esquecida.
Eu e ela, naquela tarde, em outra
vida. Nossos corpos ainda estavam trêmulos, foi tudo assim tão mágico, tão vivo
com tantas cores, várias coisas, indefinido assim. O silêncio, o tão austero
silêncio, estava por lá. O diálogo era inútil, nossos corpos, nus, gritavam
tudo que precisávamos ouvir. Enfim em um delicado abraço nos perdíamos nele e
em nosso resoluto desejo. Como fora tão vivo, tanto que ainda sinto o odor do
momento. Nada, nenhuma palavra, verso, linha ou poesia seriam capazes de
descrever perfeitamente, e delimitar, o ocorrido, o consumado.
Sim! E era definitivo: eu a
amava, ela me amava, mesmo que apenas no tempo efêmero de um orgasmo. E isso
fala por si só.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Pequena Prosa Pequena 01: Triagem
para Rosi, sem ela essa pequena história seria simplesmente impossível.
É tarde da noite, quase adentramos o mais profundo do reino
da deusa Nix. Estamos dentro de uma sala de recepção da seção de
pronto-atendimento de um grande hospital público. A cidade, o bairro, pouco
importam, pois há um caráter universal na história a seguir.
A sala é arejada, toda branca, iluminada com luzes brancas,
dando a impressão de estarmos em um lugar limpo e totalmente livre de todas as
ameaças possíveis que possam conter em um hospital dessa magnitude.
Opostamente à porta de entrada, há uma ampla mesa de
madeira, provavelmente alguma espécie de compensado, com as bordas amadeiradas
em cor marrom. Há, ainda, divisões de workstations, de vidro, há pelo
menos umas 15, onde cada pessoal tem um monitor de computador, um teclado e um
mouse.
quinta-feira, 30 de abril de 2015
Nômade
Olho os prados à minha volta, os
pássaros a cantarem
Regozijando-se em sua liberdade
finita
Pertencem em determinado espaço
Em determinada liberdade
O poeta que em seu canto trôpego e
sem fôlego
Apenas quer viver a beleza que vê e
sente
Não é como os pássaros
Mesmo papéis e histórias lhe
determinando
Sua geografia é incerta, imprecisa
Como o vagar duma canção boca afora
O poeta que sofre pelas dores de
outrem
Nasceu mas vive sem raízes ou
endereço
Sonha com uma Pasárgada que nunca
existiu
Sonha pois nos sonhos está seu barro
primordial
Um nômade é o poeta simplesmente.
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Mea Culpa... ou Por Que É Tão Difícil Parar de Ler um Livro Ruim?
É com muito pesar que admito um
esqueleto no armário: eu gosto muito dos livros escritos pelo Dan Brown. Sim,
eu sei, ele escreve com uma fórmula pronta para simplesmente vender livros e
ganhar muito dinheiro, e com isso vender os direitos de seus livros para o
cinema e assim ganhar mais dinheiro ainda, num círculo quase infinito.
Isso sem falar da qualidade de
suas histórias, que são, no mínimo, previsíveis e um tanto quanto absurdas,
mesmo que plausíveis. Mas mesmo assim eu não consigo parar de ler qualquer
livro que ele escreva, mesmo com vergonha de ler seus livros. Aliás, eu tenho
essa sensação com a maioria dos autores de best-sellers,
um dos meus autores preferidos é o Ken Follet, cuja literatura é tão rasa
quanto um pires, porém suas histórias são muito bem narradas e construídas.
segunda-feira, 12 de maio de 2014
Diário de um Professor: Resumos, Adaptações e o Cânone Literário Brasileiro
Na semana passada as redes sociais, sempre elas, foram invadidas com a notícia-bomba que o MEC aprovou um projeto, com financiamento público, de uma autora de adaptar para os tempos ultra-pós-modernos alguns textos de Machado de Assis para que as crianças e adolescente possam se interessar em literatura e leitura.
Eu, sinceramente, não
entendi o fuzuê gerado por tal notícia. Eu estudei quase que toda a minha vida
escolar em um bom colégio dominicano em São Paulo, e mesmo ali, antro do
conservadorismo pedagógico, eu li adaptações e resumos de obras como Dom Quixote, Os Três Mosqueteiros, O
Último dos Moicanos, Moby Dick,
entre outros. Não me tornei um leitor limitado, muito pelo contrário, e nada me
impediu de ler, depois com mais maturidade, as obras completas citadas.
terça-feira, 15 de abril de 2014
Sobre Palavras
Esses dias – ontem, para ser mais
específico – fui dar aula, de matemática, pasmem!, para duas meninas do Colégio
Santo Ivo, e como de costume eu me apresentei dizendo meu nome, minha idade,
que elas poderiam me chamar pelo nome, que eu dava aula particular desde os 17
anos de idade e que era escritor, e que meu primeiro livro será lançado em
breve.
Quando mencionei esse último fato
para elas, prontamente entraram em choque, era como se tivessem visto um
fantasma, um ser encantado. Eu me senti, sentado ali naquela sala de estar,
como um unicórnio sendo devassado por exploradores que não deveriam ter tomado
a segunda direita.
terça-feira, 8 de abril de 2014
A Intrusa (Jorge Luis Borges)
“Entre eles os irmãos não pronunciavam o nome de Juliana, nem sequer para chamá-la, mas procuravam, e encontravam, razões para não se pôr de acordo. Discutiam, por exemplo, a venda de uns couros, mas na verdade tratava-se de outra coisa.”Jorge Luis Borges – A Intrusa, in O Informe de Brodie
A primeira vez que eu li o conto A Intrusa, do argentino Jorge Luis
Borges, eu quase tive um ataque cardíaco; foi por conta de dois motivos: à
época andava tendo uns problemas meio sérios de saúde – esses eu já tenho mais,
possuo outros agora – e porque durante a leitura e após ela eu tive o prazer de
ser apresentado ao subtexto.
quinta-feira, 27 de março de 2014
Casa Tomada (Júlio Cortázar)
“Gostávamos da casa porque, além de espaçosa e antiga (hoje que as casas antigas sucumbem à mais vantajosa liquidação de seus materiais), guardava as recordações de nossos bisavôs, o avô paterno, nossos pais e toda a infância.”Julio Cortázar – Casa Tomada (Bestiário)
Seja para o bem, seja para o mal,
Julio Cortázar é um dos autores mais lido em toda América Latina, inclusive no
Brasil, sempre alheio aos companheiros de espanhola fala. Sua prosa ficcional é
talvez junto com a de Jorge Luis Borges o que há de mais conhecido, obviamente
não apenas pela academia hermética, da literatura moderna argentina.
O conto Casa Tomada, publicado em 1951 no livro Bestiário, primeiro livro de sucesso de público e crítica de
Cortázar, conta a história de um casal de irmãos que viveu a vida toda em uma
única casa e de repente ela é tomada por uma presença sobrenatural, ou seja,
acima da natureza do entendimento racional humano, isso não significa anjos,
demônios, fadas e duendes, que não são explicadas quanto à sua natureza, sua
origem, o que é, em suma.
terça-feira, 18 de março de 2014
O Aleph e a Literatura Argentina: Uma Leitura
“Existe esse Aleph no íntimo de uma pedra? Vi-o quando vi todas as coisas e o esqueci? Nossa mente é porosa para o esquecimento; eu mesmo estou falseando e perdendo, sob a trágica erosão dos anos, os traços de Beatriz.”
Jorge Luis Borges - O Aleph
Publicado em 1949, dentro do livro homônimo, o conto O
Aleph apresenta, com total certeza, uma das
melhores histórias escritas pelo argentino Jorge Luis Borges em sua fase
madura, inserida dentro do contexto do dito realismo mágico. Nele, Borges,
transborda a sua capacidade de criação de signos e significações, como se vê
nesse trecho, onde ele descreve o que seria o objeto que dá nome ao conto e ao
livro: “o lugar onde estão, sem se
confundirem, todos os lugares do orbe, vistos de todos os ângulos”. Ou
seja, o Aleph seria um único ponto onde se poderia envergar todos os outros
pontos do cosmos. A carga de significação embutida nessas palavras é enorme,
ainda mais se levarmos em conta a erudição de nosso interlocutor, há quem,
inclusive, faça uma leitor mística, cabalística do conto. Particularmente, eu
não a enxergo.
segunda-feira, 17 de março de 2014
Perceval, ou o Romance do Graal (Chrétien de Troyes)
Para nós, leitores modernos, é
estranho, no bom sentido, lermos um texto que é tão obviamente moralista e
evangelizador. A moral – aquela filosófica, não esse arremedo de vigiar os
costumes do próximo – é um tema que com a modernidade se tornou secundária,
sendo gradativamente substituída pela ética, o que pra mim é estranho, pois
todas as revoluções comportamentais que passamos nos últimos 50 anos
justificariam uma revisão sobre o bem e o mau.
Enfim, não é sobre isso que
pretendo escrever. Meu intento é escrever sobre um texto inacabado do século
XII sobre a Demanda do Graal. Publicado no Brasil pela Martins Fontes, dentro
da Coleção Gandhāra, Perceval ou o Romance do Graal narra as aventuras do
cavaleiro da Távola Redonda Perceval, o Galês, em busca do Santo Vaso e da
Lança que Sangra sem Nunca Secar.
A história, em si, é bem conhecida
de todos, por isso não entrarei profundamente nela. O que me importa nela são
as características expostas no primeiro parágrafo. Sou um grande entusiasta
sobre o medievo da cristandade, principalmente no tocante a cultura cortês.
Desde de tenra idade, sempre gostei da histórias que envolvessem cavaleiros,
damas, reis e rainhas. Porém, por conta da minha formação e da minha leitura,
eu havia criado um modelo pronto de mentalidade e sociedade do período. Ler as
aventuras de Perceval me mostrou o quanto engano eu estava.
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