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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Valesca Bovary ou Madame Popozuda

Valesca Popozuda apreciando uma boa crítica à sociedade burguesa
Eu nem mesmo acredito, mas vou dedicar mais um post à cantora Valesca Popozuda... Eu já tinha escrito um texto sobre ela e aquela bobagem dela ser ou não ser uma pensadora contemporânea (leia o texto aqui).
Essa semana foi propagandeada a informação que Valesca estaria rodando um videoclipe baseado em Madame Bovary, clássico da literatura universal de Gustave Flaubert.
Fiz o que não devia e fui ler os comentários dos sites e portais onde a notícia fora vinculada. Como sempre, um verdadeiro atoleiro de impropérios preconceituosos dos mais diversos tipos. Tinha de tudo, por causa dela ser funkeira, ser da favela, ser “iletrada”, ofender a dignidade de uma obra imortal. E por ai vai... Sempre que leio esses comentários tenho vontade de fazer como Édipo na caverna e vazar os olhos com uma faca.

segunda-feira, 17 de março de 2014

Perceval, ou o Romance do Graal (Chrétien de Troyes)

Para nós, leitores modernos, é estranho, no bom sentido, lermos um texto que é tão obviamente moralista e evangelizador. A moral – aquela filosófica, não esse arremedo de vigiar os costumes do próximo – é um tema que com a modernidade se tornou secundária, sendo gradativamente substituída pela ética, o que pra mim é estranho, pois todas as revoluções comportamentais que passamos nos últimos 50 anos justificariam uma revisão sobre o bem e o mau.
Enfim, não é sobre isso que pretendo escrever. Meu intento é escrever sobre um texto inacabado do século XII sobre a Demanda do Graal. Publicado no Brasil pela Martins Fontes, dentro da Coleção Gandhāra, Perceval ou o Romance do Graal narra as aventuras do cavaleiro da Távola Redonda Perceval, o Galês, em busca do Santo Vaso e da Lança que Sangra sem Nunca Secar.
A história, em si, é bem conhecida de todos, por isso não entrarei profundamente nela. O que me importa nela são as características expostas no primeiro parágrafo. Sou um grande entusiasta sobre o medievo da cristandade, principalmente no tocante a cultura cortês. Desde de tenra idade, sempre gostei da histórias que envolvessem cavaleiros, damas, reis e rainhas. Porém, por conta da minha formação e da minha leitura, eu havia criado um modelo pronto de mentalidade e sociedade do período. Ler as aventuras de Perceval me mostrou o quanto engano eu estava.