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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Manuel Não Foi pro Céu

Mais uma vez alguém perdeu a chance de, digamos, não falar bobagem. Dessa vez quem conseguiu a proeza de falar uma asneira tremenda foi o cantor Ed Motta, ao falar sobre os brasileiros que vão em seus shows no exterior. Destilando o mais puro preconceito e complexo de vira lata, Motta apenas é um reflexo de como parte da classe artística e da opinião pública brasileira vê nosso país e sua população.
Ed Motta ao dizer que não queria que brasileiros gritassem, em português, e pedissem seu maior sucesso, ele apenas está relinchando preconceito e ignorância.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Ontem

O Brasil foi acometido por uma onda, uma nova onda, de protestos nesse final de semana. Começamos na sexta-feira com um ato articulado pela CUT pró-Governo, e fechamos com as manifestações de ontem, 15/03, com o ato articulado por diversos grupos desgostos com o governo.
Esses atos foram articulados através de grupos e páginas da rede social Facebook, o que mostra mais uma vez, para algum desavisado, a potencialidade das novas formas de interação humana proporcionadas pela internet.
As pessoas foram às ruas demonstrar seu descontentamento com o governo e a atual situação do país, nada mais democrático, certo? É... Sim e não.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Mea Culpa... ou Por Que É Tão Difícil Parar de Ler um Livro Ruim?


É com muito pesar que admito um esqueleto no armário: eu gosto muito dos livros escritos pelo Dan Brown. Sim, eu sei, ele escreve com uma fórmula pronta para simplesmente vender livros e ganhar muito dinheiro, e com isso vender os direitos de seus livros para o cinema e assim ganhar mais dinheiro ainda, num círculo quase infinito.
Isso sem falar da qualidade de suas histórias, que são, no mínimo, previsíveis e um tanto quanto absurdas, mesmo que plausíveis. Mas mesmo assim eu não consigo parar de ler qualquer livro que ele escreva, mesmo com vergonha de ler seus livros. Aliás, eu tenho essa sensação com a maioria dos autores de best-sellers, um dos meus autores preferidos é o Ken Follet, cuja literatura é tão rasa quanto um pires, porém suas histórias são muito bem narradas e construídas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Porque Continuo Lendo Quadrinhos


Se há uns 18 anos atrás o Bruno de hoje se encontrasse com o Bruno de ontem e os dois conversassem sobre a marcha inexorável do tempo, e suas marcas na vida cotidiana, o Bruno de ontem ficaria muito espantada com a afirmação do Bruno de hoje que ele ainda lê histórias em quadrinhos, principalmente histórias em quadrinhos de super-heróis. Acho que o Bruno de ontem esperava que o Bruno de hoje, ainda mais esse hoje sendo hoje, esperaria que ele apenas lesse alta literatura e filosofia contemporânea... Ah, como somos ingênuos na mocidade.
Muita gente, em especial aqueles que me conhecem mais superficialmente, acham estranho pra caramba eu gostar de coisas, aparentemente, tão difusas como Wolverine e Bertrand Russell. Mas aconteceu, o que eu posso fazer?
Antes de tudo, é preciso explicar que há muito tempo os quadrinhos não são um amontado de asneira nacionalista ou ideológica. Cada vez mais, as histórias dos heróis vêm se aproximando de um tom mais realista, tocando assuntos do cotidiano e com uma profundidade dramática e narrativa cada vez maior. Para os mais jovens, adolescentes e jovens adultos principalmente, contemporâneos, é na mitologia dos heróis e nos games é que estão o grande depósito e espelho narrativo de sua geração. E não é à toa: a televisão e o cinema cada vez mais retratam o jovem como um modelo pronto e acabado, o que está longe da realidade dos mesmos.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

O Debate Político na Era das Mídias Sociais


Se algum marciano pousasse na Esplanada dos Ministérios agora e entrasse na internet, ainda mais se ele entrasse em alguma rede social, e depois alguém lhe contasse que tivemos, no Brasil, um dos pleitos mas acirrados e competitivos de todos os tempos, nosso amigo só poderia nos dizer:
- Vocês mentem em um ou em outro, ou são completamente malucos.
Nosso pequeno, e hipotético, amigo verde de longas antenas teria toda razão em pensar dessa forma. Se olharmos nossas timelines perceberemos que o assunto das eleições já é papel de embrulhar peixe. O problema, para esse mero escriba, não é a velocidade em que os ciclos de notícias nascem em morrem nas mídias sociais, mas sim uma falta de perenidade nos macrotemas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Pelo Direito à Escolha


Estou para redigir esse texto desde o último final de semana. Mas, como diria Getúlio Vargas, forças ocultas se levantaram contra a minha pessoa. E há vários motivos para que essas forças ocultas se levantassem, afinal falarei de um tema bem espinhoso: o direito para escolher quando morrer. O leitor mais atento reparou que eu utilizei apenas o direito a morrer, não o de morrer quando em estado terminal. O caminho pelo qual trilharemos é espinhoso, torto e com diversas armadilhas, afinal poucos tabus são maiores do que a morte na nossa sociedade. Há uma verdade miríade de assuntos correlatos a morte que nos levam a ter uma opinião sobre ela, passando pela biologia até a moral religiosa.
Meu estopim para finalmente escrever sobre o assunto foi a morte da norte-americana Brittany Maynard, que escolheu o caminho do suicídio assistido para não sofrer e causar sofrimento. Maynard tinha um caso grave de tumor cerebral que a faria definhar com o tempo, então, em uma atitude muito corajosa, resolveu acabar com o seu sofrimento e daqueles que os rodeavam.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Festa da Democracia


A intenção desse texto é apresentar um breve e pequeno balanço sobre as eleições majoritárias desse ano. Antes de mais nada, e que você saia me xingando ou qualquer coisa do tipo, acho necessário abrir meu voto, então eis-los: Luciana Genro (primeiro turno para presidente), Dilma Rousseff (segundo turno para presidente), Eduardo Suplicy (senador), Alexandre Padilha (governador), Legenda do PSol (deputado estadual e federal). Como podemos perceber, meus votos foram mais à esquerda, voltado para um projeto mais progressista e com o viés de desenvolvimento social, não que eu veja necessidade de justifica-los, ainda mais aqui.
Os dois votos mais difíceis para mim foram para governador e no segundo turno presidencial. Segundo o primeiro, a grande dificuldade era ter que escolher algum candidato de peso e força que pudesse ao menos forçar um segundo turno, afinal o projeto tucano em São Paulo sofre de certo comodismo e um senso de perpetuamento no poder; um segundo turno, e uma expectativa real de perder o Palácio dos Bandeirantes fariam o PSDB paulista fazer uma autocritica mais profunda; infelizmente não aconteceu, acredito muito pelo fato do PMDB e do PT em São Paulo não terem se unido para o pleito estadual, além do PSol ter lançado Gilberto Maringoni ao invés de Vladimir Safatale para concorrer ao cargo (Safatale tem mais penetração com o público médio, afinal ele tem colunas tanto na Folha de São Paulo quanto na Carta Capital, além de carregar muitos votos por ser professor do instituto mais politizado da USP).

domingo, 7 de setembro de 2014

Síndrome de Odorico Paraguaçu


Em dia de grito no riacho Ipiranga e em épocas de pleito eleitoral, é sempre bom rever algumas coisas que estão acontecendo nesse ano de eleições. Não pretendo julgar cada um dos candidatos, mas sim o quadro geral das eleições majoritárias brasileiras desse ano.
Sobre o que pretendo opinar aqui é o discurso em geral das eleições desse ano. Primeiro, acredito que o nível do debate desse pleito consegue estar ainda mais baixo do último pleito.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Valesca Bovary ou Madame Popozuda

Valesca Popozuda apreciando uma boa crítica à sociedade burguesa
Eu nem mesmo acredito, mas vou dedicar mais um post à cantora Valesca Popozuda... Eu já tinha escrito um texto sobre ela e aquela bobagem dela ser ou não ser uma pensadora contemporânea (leia o texto aqui).
Essa semana foi propagandeada a informação que Valesca estaria rodando um videoclipe baseado em Madame Bovary, clássico da literatura universal de Gustave Flaubert.
Fiz o que não devia e fui ler os comentários dos sites e portais onde a notícia fora vinculada. Como sempre, um verdadeiro atoleiro de impropérios preconceituosos dos mais diversos tipos. Tinha de tudo, por causa dela ser funkeira, ser da favela, ser “iletrada”, ofender a dignidade de uma obra imortal. E por ai vai... Sempre que leio esses comentários tenho vontade de fazer como Édipo na caverna e vazar os olhos com uma faca.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Agora a Inês É Morta


Bem, eu não queria tocar nesse assunto, afinal já faz muito tempo que o assunto deixou de ser polêmico, no meu entendimento, e agora, só consigo sentir uma leve euforia, pelo jogo, é claro, não pela FIFA, CBF ou pelo governo.
Acho valido os protestos, pautas de reivindicações que usarão a Copa como vitrine, acho que até um certo pessimismo é válido nesse momento, mesmo que tardio. Agora o efeito que isso vai ter, querer parar ou mandar a Copa embora, é um tanto quanto ingênuo.

segunda-feira, 5 de maio de 2014

Um Futuro para a Parada Gay

Gostaria de começar o texto pelo seu começo, porém preciso retroceder um pouco para evitar mal-entendidos e julgamentos errados. Para começo de conversa, você que ainda não me conhece, sou um grande defensor de todas as liberdades individuais. Todas, e nesse contexto a sexualidade eu encaro como um direito individual, ou seja, a sexualidade unicamente interessa aquele que a exerce. Cada um cuida do seu como bem entender.
Outra das minhas causas é defesa das chamadas “minorias”. Não gosto muito desse termo, pois detona algo a parte de uma sociedade democrática, assim eu prefiro o termo “vozes”. Acredito que a inclusão – social, econômica, política, digital, etc. – dos excluídos deve ser prerrogativa de qualquer livre pensador humanista.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Futebol, Racismo e Bananas

No último domingo (27 de abril), o lateral direito da seleção brasileira e do Barcelona fez um ato que causou furor no noticiário: ao bater um escanteio, um torcedor do Villareal jogou uma banana em campo, em ato puramente racista, e então Daniel Alves pegou a banana e a comeu.
Uma atitude genial, afinal ele embaralhou o campo semântico, ao tirar do ato, uma banana sendo jogada para um macaco (um negro ou pardo), ao reduzi-lo ao fato de uma banana ser... uma banana. Parece ser algo idiota, afinal bananas são frutas e frutas têm que ser comidas, porém ele fez um jogo intelectual muito complexo e com espontaneidade, o que mostra a ainda mais força por trás do ato.
O campo semântico tem muito poder, porque, simplificando muito, remetem à semiótica de signos, significado e significante. Ou seja, temos um signo, banana, que tem dois significados distintos, uma fruta e uma alusão racista, e frouxa, aos negros, e o que esse significado possui para o quem o observa, o significante. Naquela situação, naquele contexto, o segundo significado pareceria o mais apropriado. E ai que entra a virada no jogo do campo semântico. Em um lance que não dura dois segundos, Daniel Alves talvez tenha alcançado o maior feito de toda a sua carreira.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Ai, Pondé...

No último feriado, dia 21, Tiradentes e segunda-feira, fomos brindados pela coluna semanal na Folha de São Paulo do professor de filosofia da PUC-SP Luis Felipe Pondé (o link para o texto está lá embaixo). O título? Por uma direita festiva. Só pelo título já dava para ter breves insights sobre o que viria pela frente...
Na coluna, o professor Pondé argumenta que os jovens de direita, ou liberais, por serem interessados em temas profundos como economia e política, e por encararem isso de maneira séria, honesta e profundamente, não conseguiriam “pegar mulher”, afinal as pessoas de esquerda tem um discurso mais próximo ao coração, que serve para atrair jovens mulheres da classe alta entediadas.

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Pelo Direito de Ouvir o que não Quer

Nos últimos dias, tem sido veiculado a notícia que Rachel Sheherazade, âncora e comentarista do Jornal do SBT, após os seus infelizes comentários sobre o jovem criminoso acorrentado por vigilantes no Rio de Janeiro, foi posta em “férias” e depois foi retirado o espaço para seus comentários durante o espaço do editais do telejornal.
Eu não compactuo de forma alguma com as opiniões e pontos de vista de Sheherazade. Não consigo concordar com essa ideologia de “bandido bom é bandido morto” ou que “prisão tem que ser ruim para o marginal pagar seus pecados”. Acredito nas causas sociais, ambientais e psicológicas do crime. Ou se trata-se todos os criminosos dessa forma, isso inclui você que paga uma cervejinha ou um café para o policial naquela blitz pós-balada na Vila Olímpia para ele não te enquadrar na Lei Seca, ou você que tira racha em qualquer avenida, ou seja, para qualquer um age contra a lei de alguma forma. Não é essa a definição de bandido e marginal?
Porém, mais do que ser contra as opiniões da Sheherazade, sou contra qualquer tipo de censura, seja ela oficial, ou seja, calcada nas bases da lei, ou velada, com ameaças e coerções. A censura é um dos aspectos mais repugnantes que pode existir em estados totalitários, pois fere dois direitos básicos do cidadão: o de expressão e o de informação.

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Valesca Popozuda e a Filosofia

"Ser ou não ser"
Durante a semana que passou, as mídias sociais e tradicionais foram inundadas pela notícia, e respectivas análises e comentários, que um professor de filosofia de Taguatinga, no Distrito Federal, havia chamado a cantora de funk Valesca Popozuda de “grande pensadora contemporânea” em uma questão de uma avaliação de seus alunos.
Para o amigo leitor que de alguma forma não tivera ciência de tal pergunta, eis o texto na integra:
“Segundo a grande pensadora contemporânea Waleska Popuzada, se bater de frente é:
a) É só tiro porrada e bomba
b) É só beijinho no ombro
c) É recalque
d) É vida longa”
Para os incautos, a resposta correta é a alternativa “a”.

quinta-feira, 10 de abril de 2014

O Caos Dentro do Caos

A analogia é brega, cafona e recauchutada, mas precisa: se São Paulo fosse um corpo humano, seu sistema circulatório, as vias da cidade, está entupido. Em paulistanas terras, depois de anos de descaso governista, vivemos um verdadeiro caos.
A cidade sofreu uma explosão demográfica a partir dos anos 1950 com a industrialização brasileira, e desde então não se parou mais para pensar sobre o planejamento urbano.
O que temos na cidade, hoje, é um modelo que pode se tornar insustentável em breve. Aliás, vivemos um ponto de flexão em São Paulo: estamos na verve de aprovar um novo Plano Diretor, que determinará os rumos que a cidade vai tomar pelos próximos 20 anos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

O Monstro Debaixo da Cama

Às vezes, penso que vivemos tempos esquizofrênicos. É sério. Em pleno século 21, ainda tem gente que tem medinho de 1917. Qual é o trauma? Qual é o grande medo? Que monstro é esse que assola alguns setores da nossa sociedade?
Por conta das proximidades do jubileu de ouro do golpe de 1964 – que diferente do que a palavra pode dizer, não há de glorioso nesse fatídico evento – tenho acompanhado mais de perto essa época de nossa história. E a minha conclusão é que não mudamos muito de 64 até hoje, principalmente nas forças mantenedoras da estrutura de poder.
Tanto o golpe quanto o regime civil-militar se basearam no medo de uma possível transformação do Brasil em uma espécie de Cuba e no restauro da ordem. Comecemos pelo Caribe.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Wrestling, Telecatch, Lucha-Libre, Luta-Livre

Há cerca de um ano, eu retomei uma diversão que tinha quando era criança: assistir à matches de luta-livre, aquela com lutadores mascarados e tudo é manjado, com bastante periodicidade, principalmente aquelas promovidos pela World Wrestleing Entertainement, ou simplesmente WWE. Eu sei que é estranho e constrangedor um homem adulto perder seu precioso tempo com lutas que são arranjadas, violência barata e muita maquiagem, paetê e um discurso ralinho, ralinho.
Há, porém, mais do que a nossa primeira impressão pode revelar. Mas vamos com calmo. Primeiro motivo que me fez voltar a me interessar por tal “esporte”, não sei direito a sua definição de esporte, mas este sem competição simplesmente não existe, foi aquela sensação que todos temos de nostalgia de um passado outrora “perfeito”. A nossa memória é uma coisa muito gozada, afinal mesmo tendo uma capacidade enorme, ainda sim instintivamente selecionamos o que vamos guardar.
Seja para o bem, ou para mal, sempre idealizamos o passado, para ver isso basta perguntar para qualquer pessoa sobre “o tempo dela”, a pessoa vai responder que o assunto em questão, no tempo dela, era melhor, maior, mais gostoso e ninguém matava uma bola de canela. E tal pessoa não entende que “o tempo dela” também é esse presente, enfim...