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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

O Uso Político do Revisionismo Histórico


O historiador tem como dever, e função, sempre olhar para o passado de forma crítica. Já há muito tempo que a História se afastou da busca de uma verdade única e totalizante, nos dias atuais a ciência histórica está cada vez plural em sua interpretação dos fatos e tempos históricos, tanto nas conclusões quanto no método.
Atualmente, historiadores podem chegar à conclusões muito ímpares em uma mesma linha de pesquisa. Pegue por exemplo a história colonial no Brasil: existem teorias tão diversas sobre a cultura canavieira que poderíamos levar uma vida de leitura apenas para entender os modelos propostos.
Uma das maneiras de olhar criticamente para o passado é revisar as interpretações, com base em documentação e dados, passadas. Isso não implica em negar fatos históricos, como alguns adeptos do chamado revisionismo histórico usam como método.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Uma Berlim, Uma Alemanha, Uma Europa


Ontem, dia 9, comemorou-se os 25 anos da Queda do Muro de Berlim. Para mim, tal evento tem duas importâncias: uma pessoal e outra “profissional”. Pessoal, afinal uma das primeiras memórias que eu tenho com total absoluta e certeza é ver o Pedro Bial de frente para o Portal de Brandemburgo noticiando a queda do muro. Algo naquela imagem plasmou em mim uma verdadeira fixação pela Alemanha, tanto que eu sempre tive uma verdadeira adoração à cultura e a hisória germânicas. É incrível o poder da memória em nós...
A outra, a “profissional”, afinal de contas estou em vias de me tornar “historiador”, é mais evidente e direta: estamos diante de um dos mais importantes episódios, ou fatos, históricos dos últimos 30 anos. Acho que juntamente com o 11 de setembro e a Revolução da Internet, a Queda do Muro de Berlim define, pelo menos em boa parte, a nossa atual conjuntura.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Mentalidade, Imaginário e a Longa História

O historiador francês, infelizmente recentemente morto, Jacques Le Goff ficou famoso por vários motivos, dois deles em termos metodológicos foram a promoção da história das mentalidades, e sua aproximação com a antropologia, e o conceito de duração histórica, principalmente os fatores de longa de duração. É dele, por exemplo, a análise que a Idade Média teria, de fato, terminado apenas depois da Revolução Francesa, porém ainda com resquícios em pleno século 20.
Em Heróis e maravilhas da Idade Média estão presentes todos esses conceitos, porém de forma reduzida, principalmente por conta que a maioria desses conceitos são explorados em outros livros de Le Goff, principalmente em O imaginário medieval. Então temos em mãos um livro que beira à divulgação científica.
Digo que beira, afinal a linguagem empregada é de rigor acadêmico, e os estudos apresentados, em quase todos os casos, são apresentados de forma minuciosa. É preciso lembrar que em nenhum momento Le Goff expõe seu arcabouço teórico, pelo menos não de forma clara e textual, assim sendo o livro passa a ser um meio termo entre um livro teórico e um livro de divulgação. É um bom texto para os bancos estudantis universitários e para professores se reciclarem.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Ventos da Liberdade com Cheiro de Cravo

Dia 25 de abril, última sexta-feira, marcou o 40º aniversário da Revolução dos Cravos em Portugal. O que representa essa data? Simplesmente uma das últimas, talvez a última, vitória contra o fascismo. Explico.
Nessa data, jovens militares portugueses, indignados com a situação política no país – Antônio de Oliveira Salazar, ditador fascista português de 1933 a 1970, data de sua morte, havia feito seu sucessor, Marcelo Caetano, perpetuando assim o salazarismo – e com as Guerras Coloniais, uma série de combates na África e na Ásia, nas antigas colônias portuguesas, onde o Estado Novo, nome do regime salazarista, tentava desesperadamente manter o controle de suas antigas possessões, resolvem se rebelar contra o status quo da sociedade portuguesa, e derrubar o regime.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

As Damas do Século XII (Georges Duby)

A historiografia francesa durante o século 20 foi responsável por grandes e importantes mudanças metodológicas para a História. O rol de historiadores que contribuíram para isso é enorme, passando por Marc Bloch e Fernand Braudel, passando por Jacques Le Goff e Georges Duby.
Esse último, dedicou a sua carreira profissional, tanto como professor quanto como pesquisador, a buscar entender o papel das coisas “simples” da vida para a contribuição do processo histórico. Basta lembrar que ele foi o responsável por organizar a coleção História do Cotidiano, lançada no Brasil pela Companhia das Letras.
Duby e Le Goff se debruçaram na Idade Média, muito para tentar derrubar alguns mitos criados pela historiografia romântica do século 19 sobre a formação do estado francês.
Em As Damas do Século XII (Companhia de Bolso), Duby utiliza de fontes documentais e fonte literária para traçar um painel sobre o papel da mulher na vida das cortes flamengas, francesas e inglesas durante o século 11.
O livro, reunião de outros três trabalhos, traz uma abordagem interessante: o quanto o mundo masculino, representado basicamente pelo alto clero católico e pelo poder militar dos senhores feudais, temia e mistificava o mundo feminino. Os exemplos devassados de Eleonor de Aquitânia, de Isolda e de Heloísa são fascinantes.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Construindo o Imaginário

Como já disse anteriormente, sou graduando em História pela USP. Há um detalhe, todavia, que ainda não contei por aqui: durante os primeiros anos na faculdade eu detestava tudo, meus colegas, meus professores, o prédio, tudo; menos a biblioteca, que ainda é meu lugar favorito por lá. A verdade é que não tinha maturidade intelectual suficiente para aguentar o tranco que é estudar uma disciplina que envolve tantos outros conhecimentos para formar o seu próprio.
Tal situação durou até eu cursar a disciplina de Idade Média. Assim como o western e gibi de superherói, eu sempre fui fascinado pela mediavalidade. Foram poucos períodos na história ocidental onde o homem pode ser assim tão homem. Há algo de mágico nesse período. Por conta disso, acabei me tornando familiar com a obra do francês Jacques Le Goff.

quinta-feira, 20 de março de 2014

A Volta da Brigada Ligeira

Afastada dos grandes noticiários desde os idos da década de 1850, a Crimeia voltou a ser destaque nas últimas semanas, e mais uma vez o Ocidente – leia-se Europa Ocidental – e o povo russo estão envolvidos. Coincidentemente, ou não, de novo a Crimeia é palco do choque entre o pan-eslavismo russo e pretensões econômicas europeias nas terras além da margem oriental do Danúbio.
A atual crise na península, começou por conta de um plebiscito que tornou a Crimeia independente da Ucrânia e a anexou à Federação Russa. O atual modelo russo de Estado se baseia em uma federação de repúblicas autônomas em torno de um poder central. Na teoria, não existe a Rússia, e sim a Federação Russa, sendo assim as relações são mais “fraternas” entre as unidades federativas, constituindo assim um estado baseado na identidade étnica, no caso eslava. Um modelo que é estranho para o Ocidente calcado na ideia de um Estado democrático de direito, com uma república de representação direta.