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terça-feira, 1 de maio de 2018
segunda-feira, 30 de abril de 2018
sexta-feira, 27 de abril de 2018
sexta-feira, 14 de novembro de 2014
O Uso Político do Revisionismo Histórico
O historiador tem como dever, e
função, sempre olhar para o passado de forma crítica. Já há muito tempo que a
História se afastou da busca de uma verdade única e totalizante, nos dias
atuais a ciência histórica está cada vez plural em sua interpretação dos fatos
e tempos históricos, tanto nas conclusões quanto no método.
Atualmente, historiadores podem
chegar à conclusões muito ímpares em uma mesma linha de pesquisa. Pegue por
exemplo a história colonial no Brasil: existem teorias tão diversas sobre a
cultura canavieira que poderíamos levar uma vida de leitura apenas para
entender os modelos propostos.
Uma das maneiras de olhar
criticamente para o passado é revisar as interpretações, com base em
documentação e dados, passadas. Isso não implica em negar fatos históricos,
como alguns adeptos do chamado revisionismo histórico usam como método.
segunda-feira, 10 de novembro de 2014
Uma Berlim, Uma Alemanha, Uma Europa
Ontem, dia 9, comemorou-se os 25
anos da Queda do Muro de Berlim. Para mim, tal evento tem duas importâncias:
uma pessoal e outra “profissional”. Pessoal, afinal uma das primeiras memórias
que eu tenho com total absoluta e certeza é ver o Pedro Bial de frente para o
Portal de Brandemburgo noticiando a queda do muro. Algo naquela imagem plasmou
em mim uma verdadeira fixação pela Alemanha, tanto que eu sempre tive uma
verdadeira adoração à cultura e a hisória germânicas. É incrível o poder da
memória em nós...
A outra, a “profissional”, afinal
de contas estou em vias de me tornar “historiador”, é mais evidente e direta:
estamos diante de um dos mais importantes episódios, ou fatos, históricos dos
últimos 30 anos. Acho que juntamente com o 11 de setembro e a Revolução da
Internet, a Queda do Muro de Berlim define, pelo menos em boa parte, a nossa
atual conjuntura.
terça-feira, 20 de maio de 2014
Mentalidade, Imaginário e a Longa História
O historiador
francês, infelizmente recentemente morto, Jacques Le Goff ficou famoso por
vários motivos, dois deles em termos metodológicos foram a promoção da história
das mentalidades, e sua aproximação com a antropologia, e o conceito de duração
histórica, principalmente os fatores de longa de duração. É dele, por exemplo, a
análise que a Idade Média teria, de fato, terminado apenas depois da Revolução
Francesa, porém ainda com resquícios em pleno século 20.
Em Heróis e maravilhas da Idade Média estão
presentes todos esses conceitos, porém de forma reduzida, principalmente por
conta que a maioria desses conceitos são explorados em outros livros de Le
Goff, principalmente em O imaginário
medieval. Então temos em mãos um livro que beira à divulgação científica.
Digo que beira,
afinal a linguagem empregada é de rigor acadêmico, e os estudos apresentados,
em quase todos os casos, são apresentados de forma minuciosa. É preciso lembrar
que em nenhum momento Le Goff expõe seu arcabouço teórico, pelo menos não de
forma clara e textual, assim sendo o livro passa a ser um meio termo entre um
livro teórico e um livro de divulgação. É um bom texto para os bancos
estudantis universitários e para professores se reciclarem.
quarta-feira, 30 de abril de 2014
Ventos da Liberdade com Cheiro de Cravo
Dia 25 de abril,
última sexta-feira, marcou o 40º aniversário da Revolução dos Cravos em
Portugal. O que representa essa data? Simplesmente uma das últimas, talvez a
última, vitória contra o fascismo. Explico.
Nessa data, jovens
militares portugueses, indignados com a situação política no país – Antônio de
Oliveira Salazar, ditador fascista português de 1933 a 1970, data de sua morte,
havia feito seu sucessor, Marcelo Caetano, perpetuando assim o salazarismo – e
com as Guerras Coloniais, uma série de combates na África e na Ásia, nas
antigas colônias portuguesas, onde o Estado Novo, nome do regime salazarista,
tentava desesperadamente manter o controle de suas antigas possessões, resolvem
se rebelar contra o status quo da
sociedade portuguesa, e derrubar o regime.
quarta-feira, 16 de abril de 2014
As Damas do Século XII (Georges Duby)
A historiografia francesa durante
o século 20 foi responsável por grandes e importantes mudanças metodológicas
para a História. O rol de historiadores que contribuíram para isso é enorme,
passando por Marc Bloch e Fernand Braudel, passando por Jacques Le Goff e
Georges Duby.
Esse último, dedicou a sua
carreira profissional, tanto como professor quanto como pesquisador, a buscar
entender o papel das coisas “simples” da vida para a contribuição do processo
histórico. Basta lembrar que ele foi o responsável por organizar a coleção História do Cotidiano, lançada no Brasil
pela Companhia das Letras.
Duby e Le Goff se debruçaram na
Idade Média, muito para tentar derrubar alguns mitos criados pela
historiografia romântica do século 19 sobre a formação do estado francês.
Em As Damas do Século XII (Companhia de Bolso), Duby utiliza de fontes
documentais e fonte literária para traçar um painel sobre o papel da mulher na
vida das cortes flamengas, francesas e inglesas durante o século 11.
O livro, reunião de outros três
trabalhos, traz uma abordagem interessante: o quanto o mundo masculino,
representado basicamente pelo alto clero católico e pelo poder militar dos
senhores feudais, temia e mistificava o mundo feminino. Os exemplos devassados
de Eleonor de Aquitânia, de Isolda e de Heloísa são fascinantes.
quinta-feira, 3 de abril de 2014
Construindo o Imaginário
Como já
disse anteriormente, sou graduando em História pela USP. Há um detalhe,
todavia, que ainda não contei por aqui: durante os primeiros anos na faculdade
eu detestava tudo, meus colegas, meus professores, o prédio, tudo; menos a
biblioteca, que ainda é meu lugar favorito por lá. A verdade é que não tinha
maturidade intelectual suficiente para aguentar o tranco que é estudar uma
disciplina que envolve tantos outros conhecimentos para formar o seu próprio.
Tal situação durou até eu cursar a
disciplina de Idade Média. Assim como o western
e gibi de superherói, eu sempre fui fascinado pela mediavalidade. Foram poucos
períodos na história ocidental onde o homem pode ser assim tão homem. Há algo
de mágico nesse período. Por conta disso, acabei me tornando familiar com a
obra do francês Jacques Le Goff.
quinta-feira, 20 de março de 2014
A Volta da Brigada Ligeira
Afastada dos grandes noticiários
desde os idos da década de 1850, a Crimeia voltou a ser destaque nas últimas
semanas, e mais uma vez o Ocidente – leia-se Europa Ocidental – e o povo russo
estão envolvidos. Coincidentemente, ou não, de novo a Crimeia é palco do choque
entre o pan-eslavismo russo e pretensões econômicas europeias nas terras além
da margem oriental do Danúbio.
A atual crise na península,
começou por conta de um plebiscito que tornou a Crimeia independente da Ucrânia
e a anexou à Federação Russa. O atual modelo russo de Estado se baseia em uma
federação de repúblicas autônomas em torno de um poder central. Na teoria, não
existe a Rússia, e sim a Federação Russa, sendo assim as relações são mais
“fraternas” entre as unidades federativas, constituindo assim um estado baseado
na identidade étnica, no caso eslava. Um modelo que é estranho para o Ocidente
calcado na ideia de um Estado democrático de direito, com uma república de
representação direta.
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