quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Jihadistas na Vila Carrão

Mulheres utilizam o hijab tradicional
Os últimos episódios de terrorismo ao redor do mundo tem mostrado, mais uma vez, o lado mais feio, sim, estou sendo pueril, da humanidade. Seja por conta dos ataques em si, para mim que não professo fé alguma, não faz sentido você tentar dominar alguém por conta de uma crença, de meia dúzia de conceitos metafísicos, apesar de respeitar e entender quem tenha fé, seja por conta das consequências sociais sejam elas políticas/militares.
É urgente notar que, não importa as ações militares ou políticas, o terror ganhou a guerra. As cicatrizes geradas por uma série de ações e reações, todas truculentas e atabalhoadas, gerou o novo arranjo geopolítico do século 21.
Não há mais como fechar a caixa de Pandora: para o Ocidente, em termos gerais, todo muçulmano é um terrorista-jihadista-fundamentalista em potencial, e para o Islã todo ocidental é um sionista-imperialista-inimigo-da-fé em potencial.

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

No Ombro de Gigantes

Como muitos, subo nos ombros de gigantes
Além do óbvio, vejo a poética da minha vida
Toda sua narrativa em cores pálidas
Seus abafados cheiros sombrios
Pouca coisa sobrou para se sonhar
Vivi, como uma pluma, na intensidade do pulsar
Aqui, dos ombros, o passado me parece vazio
Oco e esguio. O passado é sol ponente.
Sou poeta e a esperança é minha nutrição
Estando na companhia de gigantes
Só há uma direção possível para o olhar:
O sol nascente.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Pequena Prosa Pequena 03: Noite em Claro

Mais uma noite, outra como tantas outras, que passaria em claro. Já fizera de tudo: lera, pensara, rolara. De tudo mesmo. Meus pés sentiam uma grande autonomia, iam a lugares inesperados. Sentia o desespero de mais uma noite em claro. O céu não era o mesmo, sabia sim muito bem. Não apenas amarrado na teoria física. O céu não era o mesmo posto que não fosse, ele, o mesmo. Sua vida uma eterna linha continua. Linha não, círculo. Continua, não havia secções nela. Havia, sim, progressos e regressos, mas era uma linha (círculo) e continua.
Quando os pés se acalmaram ele fora deitar-se mais uma vez. A mesma vista de todos os dias. Borges de cabeceira (Ficções e O Aleph), o despertador, barulhento e incomodo, e a luminária. Tudo isso em um criado mudo, que no Rio Grande do Sul se chama bidê, herdado de uma tia avó.
O sono não vinha apenas o sonho. Ou a vontade de sonhar de ali não mais retornar. Havia algo de estranho em sua cama. Algo que lhe causava angústia e repugnância. Talvez fosse a rotina: dormia lá desde que não dormia mais em berços. O problema da insônia seria a cama, ou seu ocupante? Dúvida compartilhada por ele inclusive. A sensação de cansaço, de derrota, de dormência, o vence. Estava mergulhando no reino de Morfeus.
Quando um som estridente, um som indesejado, invade lhe o quarto. Não vale o esforço literário de descrever qual fora esse som. Sua definição fora logo ignorada, o que foi relevante fora o despertar provocado. Não iria dormir. Estava acabado. Estava entregue. Estava rendido. Estava vencido.

E de tão vencido acabo dormindo.

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Pequena Prosa Pequena 02: A Defloração

para uma mulher há muito esquecida.

Eu e ela, naquela tarde, em outra vida. Nossos corpos ainda estavam trêmulos, foi tudo assim tão mágico, tão vivo com tantas cores, várias coisas, indefinido assim. O silêncio, o tão austero silêncio, estava por lá. O diálogo era inútil, nossos corpos, nus, gritavam tudo que precisávamos ouvir. Enfim em um delicado abraço nos perdíamos nele e em nosso resoluto desejo. Como fora tão vivo, tanto que ainda sinto o odor do momento. Nada, nenhuma palavra, verso, linha ou poesia seriam capazes de descrever perfeitamente, e delimitar, o ocorrido, o consumado.

Sim! E era definitivo: eu a amava, ela me amava, mesmo que apenas no tempo efêmero de um orgasmo. E isso fala por si só.

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Pequena Prosa Pequena 01: Triagem

para Rosi, sem ela essa pequena história seria simplesmente impossível.

É tarde da noite, quase adentramos o mais profundo do reino da deusa Nix. Estamos dentro de uma sala de recepção da seção de pronto-atendimento de um grande hospital público. A cidade, o bairro, pouco importam, pois há um caráter universal na história a seguir.
A sala é arejada, toda branca, iluminada com luzes brancas, dando a impressão de estarmos em um lugar limpo e totalmente livre de todas as ameaças possíveis que possam conter em um hospital dessa magnitude.
Opostamente à porta de entrada, há uma ampla mesa de madeira, provavelmente alguma espécie de compensado, com as bordas amadeiradas em cor marrom. Há, ainda, divisões de workstations, de vidro, há pelo menos umas 15, onde cada pessoal tem um monitor de computador, um teclado e um mouse.