quinta-feira, 25 de junho de 2015

Megalomania

Envolto nos braços de algum herói trágico
Me desfaço das roupas da guerra
Estou cansado, farto e ferido
A batalha está perdida, a guerra sem sentido
Sem esperanças ou sonhos, abraço meu destino
Será o meu drama, minha tristeza, meu sofrer
Meu desencanto, minha infelicidade, minha insônia
Meu desalento, meu futuro, meu gozo,
Minha temperança, meu regozijo, meu saber
Minha lira, meu encanto, minha beleza
Maior do que outro homem?
Sou filho da minha própria alma
Meu maior medo é de eu seja eu mesmo
Quem outrora fui sentenciado a ser
Um futuro próspero e reto
Quem sou eu para desejar mais?
O que mais quero é quebrar as vidraças
Desse castelo de cristal que envolto estou
Os heróis de nada mais me adiantam
Repousar confortavelmente em dor
Daquela que brota das profundezas d’alma
É meu destino por mim traçado
E quem me impedirá?
Essa gigante quimera que se esconde
Se esconde atrás, ali, do espelho.

Eu, a pedra no meio do caminho.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Existe Iniciativa Privada no Brasil?

Vivemos um período singular na história da república brasileira, ainda mais pós-Ditadura Militar. Vivemos um período onde, aparentemente, pela primeira vez temos os senhores que controlam Pindoroma desde seu alvorecer colonial sendo encarcerados pelos vastos crimes cometidos contra o próprio conceito de república. Não é todo dia que tesoureiros de partidos governistas, executivos de grandes empresas, entre outros figurões, são detidos e posto em posição de vexação pública. Bom, pelo menos não por aqui.
Uma coisa me chama muito atenção nas investigações lançadas pelas operações Lava-Jato e Zelotes é como a, dita, iniciativa, dita, privada é tão dependente do Estado brasileiro. Até onde tenho conhecimento, não existe nenhuma grande empresa brasileira, com sede e origem aqui, privada que não dependa de alguma forma das benesses de um Estado forte e paternalista, seja através de empréstimos facilitados ou isenções fiscais de todo tipo.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

O SUS, os Huck e a Mídia

Acho a internet uma das grandes invenções do homem, nos mesmo patamar como a roda, a agricultura, a engenharia, a locomotiva, o telefone, o cinema, entre tantas outras. A internet nos possibilitou uma nova forma de vida social, produção econômica e até novas fronteiras na epistemologia e em outros campos filosóficos.
Só que ela, a internet, tem o mesmo potencial para gerar coisas negativas e inúteis. Basta lembrarmos das “polêmicas” que coalham a rede. Na verdade, verdade mesmo, estou meio cansado de escrever sobre essa característica da internet. Acho que é algo meio intrínseco à capacidade humana de criar coisas bacanas e ao mesmo mal utilizá-las. A ciência talvez seja outro grande exemplo dessa capacidade perversa.
A polêmica da vez tem a ver com o acidente aero sofrido pela família dos Huck e seu staff. Como já se sabe, o piloto fez um pouso forçado para evitar que algo de mais danoso acontecesse com os tripulantes e passageiros do avião.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Diário de Bordo, Data Estelar 92944.25 (Eu, um narcisista?)

Sou um homem de poucas, pouquíssimas, vaidades. Não me importo muito com meu visual, tanto no que se refere a forma física ou a indumentária. Sempre cortei o cabelo em casa e usei a barba de pelo menos uma semana. Minhas poucas vaidades são todas relacionadas ao meu lado mais intelectual, sempre me pavoneio em relação à aquisição e manipulação dos meus saberes, hábito que considero um dos maiores defeitos possuídos por mim. Mas de todas as minhas vaidades, essa aqui, de escrever, é com certeza a minha maior. Tenho muito orgulho, além de prazer, de ser escritor, mesmo sendo extremamente realista sobre minhas capacidades e habilidades, um dos dias mais felizes da minha vida foi quando peguei em mãos pela primeira vez o meu primeiro livro.
Por conscientemente ser tão pouco vaidoso, ou seja, eu me enxergo e me entendo como tal. Tal foi, então, o meu espanto ao descobrir em terapia que muitas das causas dos meus sofrimentos emocionais vêm justamente do outro lado do espectro: durante as minhas sessões no divã descobri que sou muito carente e altamente autocentrado. Preciso de atenção e que a atenção seja direcionada para mim.
Semanas depois dessa descoberta, tal entendimento ainda me causa estranheza. Como posso ser ao mesmo tempo uma pessoa sem vaidade, sem orgulho e ser carente, necessitado? Para mim essa é mais uma das minhas muitas contradições e conflitos que acabam por me definir.

Algum pensador, mais sábio e mais bem resolvido do que eu, já terá formulado que a nossa definição é a soma do que somos e do que não-somos, aliás, todas as coisas do mundo são definidas pelo que são e pelo que não-são – o ser é o não-ser não-é – o grande problema, pelo menos no meu entendimento, está justamente em saber dar valor a ambas as partes. Eu, até agora, não soube equacionar as afirmações e suas negações.

terça-feira, 26 de maio de 2015

Diário de um Professor: A Pedagogia da Violência

Nas últimas semanas, em todas as esferas de comunicação, uma discussão tem sobressaído: a votação da PEC 171/93, que reduz a maioridade penal no Brasil de 16 para 18 anos. Não pretendo, agora, discutir com você, leitor, sobre o mérito dessa proposta de emenda constitucional, pois ainda não consegui formular uma posição definitiva sobre o tema. Acredito que há justificativas racionais em ambos os lados do debate, que em sua maioria tem sido elaborado pelo fígado e não pelo cérebro. A discussão deve ganhar ainda mais visibilidade com a morte, por um menor de idade, do cardiologista Jamie Gold no Rio de Janeiro no último dia 20.
Um dos fatos que mais me saltou aos olhos desse caso foi que o menor já havia indo e voltado diversas vezes tanto de ações sócio-educativas como de ações punitivas. Salta-me aos olhos pois o sistema de correção juvenil apresenta no Brasil um baixo índice de reincidentes.