Se há uns 18 anos atrás o Bruno de
hoje se encontrasse com o Bruno de ontem e os dois conversassem sobre a marcha
inexorável do tempo, e suas marcas na vida cotidiana, o Bruno de ontem ficaria
muito espantada com a afirmação do Bruno de hoje que ele ainda lê histórias em
quadrinhos, principalmente histórias em quadrinhos de super-heróis. Acho que o
Bruno de ontem esperava que o Bruno de hoje, ainda mais esse hoje sendo hoje,
esperaria que ele apenas lesse alta literatura e filosofia contemporânea... Ah,
como somos ingênuos na mocidade.
Muita gente, em especial aqueles
que me conhecem mais superficialmente, acham estranho pra caramba eu gostar de
coisas, aparentemente, tão difusas como Wolverine e Bertrand Russell. Mas
aconteceu, o que eu posso fazer?
Antes de tudo, é preciso explicar
que há muito tempo os quadrinhos não são um amontado de asneira nacionalista ou
ideológica. Cada vez mais, as histórias dos heróis vêm se aproximando de um tom
mais realista, tocando assuntos do cotidiano e com uma profundidade dramática e
narrativa cada vez maior. Para os mais jovens, adolescentes e jovens adultos
principalmente, contemporâneos, é na mitologia dos heróis e nos games é
que estão o grande depósito e espelho narrativo de sua geração. E não é à toa:
a televisão e o cinema cada vez mais retratam o jovem como um modelo pronto e
acabado, o que está longe da realidade dos mesmos.
