A
leitura, a vida, a cidade, tiraram um pouco da doçura e da simples felicidade;
é o que concluo após rever algumas fotos de quando era uma criança pequena. Sem
querer me gabar mas fui uma criança bem lindinha e graciosa, em algumas fotos
eu mal me reconheço, apesar dos mais próximos insistirem em dizer que pouco
mudei nessas três décadas. Dou-me o direito de discordar, todavia.
Divago
para tentar chegar em um ponto: quando eu perdi a capacidade de acreditar em
alguma coisa? Digo isso, afinal, desde que tenho a capacidade de problematizar
meus atos, sempre os coloquei sob um prisma crítico, o que de certa forma me
impede de crer em algo. Trocando em miúdos: desde que me entendo por gente eu
sempre fui muito racional – apesar dos arroubos de protoromantismo durante a
mocidade.
Com
isso, apesar da formação católica que possuo – passei quase toda a minha vida
escolar em um colégio dominicano – hoje me sinto incapaz de acreditar em
qualquer coisa. Acreditar, para mim, é aceitar algum conceito, guardem essa
palavra, sem questioná-lo nunca, seja de forma positiva, seja de forma
negativa.
