Afastada dos grandes noticiários
desde os idos da década de 1850, a Crimeia voltou a ser destaque nas últimas
semanas, e mais uma vez o Ocidente – leia-se Europa Ocidental – e o povo russo
estão envolvidos. Coincidentemente, ou não, de novo a Crimeia é palco do choque
entre o pan-eslavismo russo e pretensões econômicas europeias nas terras além
da margem oriental do Danúbio.
A atual crise na península,
começou por conta de um plebiscito que tornou a Crimeia independente da Ucrânia
e a anexou à Federação Russa. O atual modelo russo de Estado se baseia em uma
federação de repúblicas autônomas em torno de um poder central. Na teoria, não
existe a Rússia, e sim a Federação Russa, sendo assim as relações são mais
“fraternas” entre as unidades federativas, constituindo assim um estado baseado
na identidade étnica, no caso eslava. Um modelo que é estranho para o Ocidente
calcado na ideia de um Estado democrático de direito, com uma república de
representação direta.
