Para nós, leitores modernos, é
estranho, no bom sentido, lermos um texto que é tão obviamente moralista e
evangelizador. A moral – aquela filosófica, não esse arremedo de vigiar os
costumes do próximo – é um tema que com a modernidade se tornou secundária,
sendo gradativamente substituída pela ética, o que pra mim é estranho, pois
todas as revoluções comportamentais que passamos nos últimos 50 anos
justificariam uma revisão sobre o bem e o mau.
Enfim, não é sobre isso que
pretendo escrever. Meu intento é escrever sobre um texto inacabado do século
XII sobre a Demanda do Graal. Publicado no Brasil pela Martins Fontes, dentro
da Coleção Gandhāra, Perceval ou o Romance do Graal narra as aventuras do
cavaleiro da Távola Redonda Perceval, o Galês, em busca do Santo Vaso e da
Lança que Sangra sem Nunca Secar.
A história, em si, é bem conhecida
de todos, por isso não entrarei profundamente nela. O que me importa nela são
as características expostas no primeiro parágrafo. Sou um grande entusiasta
sobre o medievo da cristandade, principalmente no tocante a cultura cortês.
Desde de tenra idade, sempre gostei da histórias que envolvessem cavaleiros,
damas, reis e rainhas. Porém, por conta da minha formação e da minha leitura,
eu havia criado um modelo pronto de mentalidade e sociedade do período. Ler as
aventuras de Perceval me mostrou o quanto engano eu estava.
