terça-feira, 8 de abril de 2014

A Intrusa (Jorge Luis Borges)

“Entre eles os irmãos não pronunciavam o nome de Juliana, nem sequer para chamá-la, mas procuravam, e encontravam, razões para não se pôr de acordo. Discutiam, por exemplo, a venda de uns couros, mas na verdade tratava-se de outra coisa.”Jorge Luis Borges – A Intrusa, in O Informe de Brodie

A primeira vez que eu li o conto A Intrusa, do argentino Jorge Luis Borges, eu quase tive um ataque cardíaco; foi por conta de dois motivos: à época andava tendo uns problemas meio sérios de saúde – esses eu já tenho mais, possuo outros agora – e porque durante a leitura e após ela eu tive o prazer de ser apresentado ao subtexto.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Não É Por 25%

Na última sexta-feira, dia 04 de abril, a mídia vinculou a notícia que o Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas) se equivocou ao divulgar na semana anterior dados sobre a violência sexual contra as mulheres no Brasil; já tratei desse assunto aqui.
Originalmente, para a resposta a seguinte pergunta: “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas?”, ou seja, é culpa vítima sofrer uma violência ou não?, 65% dos entrevistados disserem que... sim. No dia 04 o Ipea se pronunciou que, por um erro de digitação, o dado real era de aproximadamente 25%. Ou seja, 1 em cada 4 entrevistados concorda bisonhamente com essa ideia. Isso, comparativamente, é quase o dobro do número de brasileiros com diploma universitário, que gira em torno de 10% segundo o IBGE.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

O Menino, o Homem e a Fé

A leitura, a vida, a cidade, tiraram um pouco da doçura e da simples felicidade; é o que concluo após rever algumas fotos de quando era uma criança pequena. Sem querer me gabar mas fui uma criança bem lindinha e graciosa, em algumas fotos eu mal me reconheço, apesar dos mais próximos insistirem em dizer que pouco mudei nessas três décadas. Dou-me o direito de discordar, todavia.
Divago para tentar chegar em um ponto: quando eu perdi a capacidade de acreditar em alguma coisa? Digo isso, afinal, desde que tenho a capacidade de problematizar meus atos, sempre os coloquei sob um prisma crítico, o que de certa forma me impede de crer em algo. Trocando em miúdos: desde que me entendo por gente eu sempre fui muito racional – apesar dos arroubos de protoromantismo durante a mocidade.
Com isso, apesar da formação católica que possuo – passei quase toda a minha vida escolar em um colégio dominicano – hoje me sinto incapaz de acreditar em qualquer coisa. Acreditar, para mim, é aceitar algum conceito, guardem essa palavra, sem questioná-lo nunca, seja de forma positiva, seja de forma negativa.

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Construindo o Imaginário

Como já disse anteriormente, sou graduando em História pela USP. Há um detalhe, todavia, que ainda não contei por aqui: durante os primeiros anos na faculdade eu detestava tudo, meus colegas, meus professores, o prédio, tudo; menos a biblioteca, que ainda é meu lugar favorito por lá. A verdade é que não tinha maturidade intelectual suficiente para aguentar o tranco que é estudar uma disciplina que envolve tantos outros conhecimentos para formar o seu próprio.
Tal situação durou até eu cursar a disciplina de Idade Média. Assim como o western e gibi de superherói, eu sempre fui fascinado pela mediavalidade. Foram poucos períodos na história ocidental onde o homem pode ser assim tão homem. Há algo de mágico nesse período. Por conta disso, acabei me tornando familiar com a obra do francês Jacques Le Goff.

terça-feira, 1 de abril de 2014

As Nuvens (Aristófanes)

É preciso muita coragem, em qualquer época da história, para ser crítico dos seus pares. Ainda mais quando se trata de uma figura pública, ainda mais quando se trata de fazer essa crítica pela comédia. O nosso tempo, pós-tudo e pré-nada, talvez por conta do domínio de um bom-mocismo exacerbado, não aceita muito bem a crítica cômica, ainda mais a de tom mais ácido.
As Nuvens é considerada, por diversos críticos e estudiosos, como sendo uma das melhores comédias de Aristófanes. Este foi um dos grandes comediógrafos de seu tempo, contemporâneo de, entre outros tantos, Platão. Com um humor seco, drástico e irônico, Aristófanes em As Nuvens satiriza o grande Sócrates.