sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Pequena Prosa 06: Ironia Infernal

Ao renunciar a vida, o Suicida, execrável habitante de qualquer cemitério, caminha, com o buraco que desfalecera sua nuca, em alguma planície de algum rio de algum círculo do Inferno (o cristão).
Inferno para outros, para ele redenção.
Todo ódio, medo, asco, dor e mentira findara no momento do disparo. A bala que avançava em meio a sangue, inteligência e memória levava-o, definitivamente, à vida.
Uma simplicidade feliz irradiava de seu ser.
Era deveras feliz.
Enciumado de tal alegria e felicidade Satanás – ou Lúcifer, Capeta, Demônio, Belzebu, escolha, todos eles são o próprio Capiroto – fala com ele.
Com ar Inquisidor vai julgando, dissimuladamente, seu réu.
Então volta de volta à vida, a sua vida.

E do Paraíso se fez Inferno, e do Inferno se fez vida e da vida se fez morto.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Paixão e Razão

Um bom lugar para praticar a filosofia Heideggeriana
Se não me engano, e pode ser que esteja, foi o filósofo alemão Martim Heidegger que sentenciou que o fazer filosófico só pode ser operado quando o sujeito está livre das paixões, ou seja, para usarmos a razão de forma crítica, positiva e propositiva, é preciso estar com o espírito calmo, como um lago sem perturbações. Claro que os gregos, lá na Antiguidade, já haviam nos alertado sobre esse necessidade de paz interior para “pensarmos melhor”.
É preciso serenidade para filosofar.
Sou, podemos por assim dizer, uma pessoa racional, ou pelo menos tento; compactuo com o mestre alemão que a razão é melhor utilizada quando estamos serenos e afastamos as paixões do cerne do objeto ou problema a ser pensado.

Pequena Prosa 05: Talento

Às vezes pego-me pensando em como decifrar a, como diria Borges, a mágica e os sons das palavras. Foge-me a coragem de ser poeta ou de ser poesia. Falta-me a coragem, quiçá audácia, de ser Borges, Joyce, Rosa e Cortázar.

A Jorge Luís, James, João e Júlio meus mais sinceros pedidos de desculpa...

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pequena Prosa 04: Diálogo Interno

Estávamos eu e meu outro–eu uma vez mais sonhando.
Divagávamos.
Longe, muito longe.
Em algum lugar entre o gozo e a morte perdíamo-nos nessas nuances indecifráveis para mortais, como eu.
Os assuntos?
Falávamos de deus.
E sua ausência.
E seu poder.
E seu medo.
Sou, bom saber, ateu, não por descrença, e sim por falta de crença.
Deus, infelizmente, nunca bateu à minha porta, e faz-me falta uma crença, fé.
Ser desprovido de fé e, ou, crença e ser escravo de um pensamento, tido, como livre e racional é um flagelo.
Aos grilhões e aos ferros dos meus pensamentos estou fadado a conviver e viver.

Oxalá!

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Deus e o Diabo na Mesa de Reunião

O que o blogueiro tem vontade de dizer quando
alguém começa a rezar no firmão.
Há alguns meses resolvi me bandear para o “mundo corporativo”, deixei minhas atividades pedagógicas e criativas um pouco de lado e comecei a trabalhar numa empresa multinacional. Foram vários motivos que me levaram a isso, e acho que não é interessante expor aqui as minhas motivações pessoais nesse caso.
Constatei que vivia numa pequena e confortável bolha: convivia muito com alunos do ensino base, com a minha família e com colegas de curso e profissão. Tinha outro entendimento do mundo, muito por conta das similaridades nos discursos, na ideologia, na visão de mundo e realidade.
Para mim, foi um choque conhecer, numa só leva, tantas pessoas evangélicas, praticantes ou não, o mais estranho e absurdo que isso possa parecer. Foi um choque, e súbito diga-se de passagem, perceber como o discurso religioso e místico está impregnado na estrutura social que nos rodeia.